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O Brasil precisa decidir que Indústria quer ter no futuro!


O Brasil precisa decidir que Indústria quer ter no futuro!
30/09/2026 O Brasil precisa decidir que Indústria quer ter no futuro!

A indústria mundial atravessa uma transformação profunda, que combina avanços tecnológicos, mudanças nas cadeias produtivas e uma nova configuração das relações entre os países. Inteligência artificial, transição energética, disputa por mercados, segurança de suprimentos e reorganização geopolí­tica já fazem parte das decisões que as empresas pre­cisam tomar todos os dias.

Esses foram alguns dos temas centrais do 11º Congresso Brasileiro da Indústria de Máquinas e Equipamentos, realizado pela ABIMAQ e pelo SIN­DIMAQ. O Congresso evidenciou que essas questões estão diretamente relacionadas à capacidade do Bra­sil de elevar sua produtividade, ampliar sua competi­tividade e definir o espaço que pretende ocupar na economia mundial.

Para o Brasil, esse cenário representa um desafio, mas também abre oportunidades. Temos recursos naturais estratégicos, capacidade de produção de ali­mentos e energia, um mercado interno relevante e uma indústria diversificada. Esses ativos, entretanto, não garantem desenvolvimento por si só. É necessá­rio criar condições para que o investimento produti­vo aconteça, para que as empresas modernizem suas estruturas e para que novas tecnologias sejam incor­poradas de forma competitiva.

A inteligência artificial é um bom exemplo dessa transformação. Na indústria de máquinas e equipa­mentos, seus efeitos aparecem na automação, no de­senvolvimento de máquinas mais inteligentes, na in­tegração de dados aos processos produtivos e na ma­nutenção preditiva.

A questão, portanto, deixou de ser se a indústria brasileira terá contato com essas tecnologias. O pon­to central é saber com que velocidade e qualidade conseguiremos incorporá-las.

Isso exige tecnologia, mas também pessoas qua­lificadas, capacidade de gestão, disponibilidade de fi­nanciamento e segurança para investir. Exige, sobre­tudo, um ambiente econômico capaz de estimular de­cisões de longo prazo.

O elevado custo do capital, a complexidade tribu­tária, as dificuldades de financiamento, as deficiên­cias de infraestrutura e a insegurança jurídica e regu­latória reduzem a capacidade das empresas de inves­tir, inovar e competir.

Para a indústria de máquinas e equipamentos, es­sa questão é ainda mais relevante. Nosso setor está na base de praticamente todas as cadeias produtivas. Quando uma indústria moderniza uma fábrica, auto­matiza uma linha de produção, reduz desperdícios ou amplia sua capacidade, existem máquinas, equipa­mentos, tecnologia e soluções de engenharia por trás dessa transformação.

Fortalecer a indústria de máquinas e equipamen­tos é, portanto, ampliar a capacidade de moderniza­ção de toda a economia. Mais investimento produtivo significa maior demanda por bens de capital, maior incorporação de tecnologia e melhores condições pa­ra elevar a produtividade do país.

Foi a partir dessa visão que a ABIMAQ apre­sentou, durante o Congresso, sua proposta aos presidenciáveis, intitulada “Estabilidade e Com­petitividade: os fundamentos de um novo ciclo de desenvolvimento”.

O documento organiza as propostas da entidade em quatro grandes eixos: estabilidade macroeconô­mica; melhoria do ambiente de negócios e competi­tividade sistêmica; educação, capital humano e for­mação para o desenvolvimento; e investimento, mo­dernização e inovação.

Mais do que uma agenda setorial, a Carta apre­senta a visão da ABIMAQ sobre as condições consi­deradas necessárias para sustentar um ciclo de cres­cimento de longo prazo. Não haverá aumento con­sistente de produtividade sem pessoas qualificadas. Não haverá inovação em escala sem investimento. E dificilmente haverá investimento produtivo de longo prazo sem estabilidade econômica, previsibilidade e segurança jurídica.

A infraestrutura também ocupa papel central nessa agenda. Infraestrutura insuficiente eleva os custos de produção e transporte, reduz a eficiência das empresas e limita a competitividade da produ­ção brasileira.

Ao mesmo tempo, as transformações internacio­nais criam novas possibilidades. A disputa entre gran­des potências, a reorganização das cadeias produtivas e a busca por segurança energética, alimentar, mine­ral e tecnológica ampliaram a importância estratégica da capacidade produtiva dos países.

O Brasil reúne atributos importantes nesse novo cenário. Dispõe de recursos naturais, matriz energé­tica diversificada, mercado interno e uma base indus­trial com conhecimento e capacidade tecnológica. Es­ses fatores podem contribuir para ampliar a partici­pação do país nas cadeias globais, atrair investimen­tos e conquistar novos mercados.

Mas essas oportunidades não são automáticas. A inserção internacional do Brasil precisa caminhar junto com a construção de condições de competiti­vidade para quem produz e investe no país.

Na visão apresentada pela ABIMAQ, uma política industrial consistente precisa estabelecer prioridades, metas e mecanismos de acompanhamento de resul­tados, integrando financiamento, inovação, formação profissional, infraestrutura e desenvolvimento pro­dutivo. Governança, avaliação e continuidade são fundamentais para que essas iniciativas tenham ho­rizonte de longo prazo.

O Brasil possui condições para ocupar uma posi­ção relevante no próximo ciclo da economia mundial. Temos recursos estratégicos, empresas com conhe­cimento e capacidade tecnológica e uma indústria de máquinas e equipamentos capaz de desenvolver so­luções para diferentes setores da economia.

O desafio é transformar essas capacidades em uma estratégia de desenvolvimento de longo pra­zo, com continuidade e previsibilidade, que crie condições para que investir em produção, moder­nização e tecnologia seja uma decisão economica­mente racional.

O mundo já está mudando. Para a indústria brasileira, a questão não é apenas acompanhar essa transformação, mas estar preparada para partici­par dela.

Precisamos definir que indústria queremos cons­truir para o futuro — e criar, desde agora, as condições para que ela possa competir, investir e crescer.


* Gino Paulucci Jr. – Engenheiro, empresário e presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ

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