Os resultados da pesquisa Indicadores Conjunturais da indústria de máquinas e equipamentos referentes a julho de 2026 mostraram que, embora haja sinais de desempenho positivo na comparação mensal, o setor de máquinas e equipamentos continua acumulando retração. No período de janeiro a julho de 2026, o consumo aparente nacional recuou 12,5% em relação ao mesmo período de 2025, evidenciando o ritmo fraco de investimentos produtivos no país.
No mês de julho de 2026, o consumo aparente cresceu 1,9% em relação a junho, atingindo R$ 34,62 bilhões. O ganho marginal, no entanto, resultou em investimentos 5,3% inferiores aos observados em julho de 2025, o quarto consecutivo neste comparativo, confirmando que a demanda doméstica segue deprimida.
A receita líquida total de vendas da indústria de máquinas e equipamentos, resultado dos negócios realizados tanto no mercado doméstico quanto externo, encerrou julho de 2026 em R$ 24,44 bilhões, com leve alta frente a junho (+0,7% com ajuste sazonal), mas uma queda significativa frente a julho de 2025 (-8,9%). No acumulado dos primeiros sete meses de 2026, a receita líquida total do setor registrou queda de 12,9%. A fraqueza é mais evidente no mercado interno, que, além da estabilidade na margem (-0,1%), a receita doméstica acumulou retração de -15,3% no ano.
Essa debilidade do mercado doméstico de máquinas e equipamentos reflete de maneira direta os efeitos prolongados da política monetária restritiva sobre a decisão de investir. O Banco Central do Brasil, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 4 e 5 de agosto de 2026, reduziu a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, e, embora tenha sido o quarto corte consecutivo, o patamar de juros nominais e reais permanece extremamente restritivo. O elevado custo de captação encarece o financiamento de estoques, capital de giro e a aquisição de bens de capital.
As exportações do setor de máquinas e equipamentos atingiram US$ 1,13 bilhão em julho de 2026, avanço de 4,2% em relação ao mês de junho. No acumulado de janeiro a julho de 2026, as vendas externas mantiveram saldo positivo, com crescimento de 8,4% em relação a 2025. Contudo, na comparação interanual (julho de 2026 contra julho de 2025), houve recuo de 10,9%.
Do ponto de vista setorial, os segmentos de máquinas para infraestrutura e indústria de base (+29,4%) e os fabricantes de componentes (+18,9%) lideraram o crescimento das exportações em dólares no ano. Em contraste, o grupo fabricante de máquinas para bens de consumo registrou recuo de 8,9%.
Vale destacar que a valorização acumulada do real frente ao dólar ao longo do ano limita a conversão dessas receitas em moeda nacional, diminuindo o impacto positivo do comércio exterior sobre a margem de faturamento das indústrias brasileiras.
Em julho de 2026, o Brasil importou US$ 2,95 bilhões em máquinas e equipamentos, com altas de 3,3% frente a junho e 2,1% na comparação interanual com julho de 2025. No ano (Jan-Jul) as importações cresceram 3,7%.
Esse movimento vem consolidando uma mudança estrutural preocupante no consumo nacional. No acumulado de janeiro a julho de 2026, os equipamentos importados passaram a representar 47,4% do consumo aparente nacional, avanço de 1,7 ponto percentual frente aos 45,7% registrados no mesmo período de 2025. Isso significa que quase metade de todas as máquinas adquiridas no Brasil foi produzida no exterior.
A China consolidou-se como principal origem desse avanço importador. No acumulado de janeiro a julho de 2026:
Esse cenário mostra o contínuo ganho de espaço pelos fabricantes chineses no mercado doméstico brasileiro, apoiado em preços competitivos, baixo custo de crédito, facilidade de financiamento, dentre outros fatores.
Os indicadores de atividade e capacidade produtiva da indústria de máquinas e equipamentos apresentaram comportamentos divergentes em julho de 2026:
Os indicadores consolidados até julho de 2026 reforçam que a indústria brasileira de máquinas e equipamentos atravessa uma conjuntura de baixo dinamismo e transição estrutural complexa. O investimento produtivo doméstico continua pressionado pela taxa de juros restritiva, e a leve melhora mensal do consumo aparente em julho não configura um movimento consistente de recuperação de médio prazo.
Soma-se a esse quadro o avanço sistemático das importações, especialmente provenientes da China, que ocupam fatias crescentes de mercado antes atendidas por outros parceiros comerciais e pela produção local.
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