CSENO/Abimaq pretende agendar com as partes envolvidas uma visita técnica ao Estaleiro Jurong Aracruz (EJA), onde o navio será construído, já no começo de 2022, a fim de entender as demandas e oferecer soluções com conteúdo local para apoiar o projeto.
Fornecedores locais buscam repetir no projeto de obtenção do Navio de Apoio Antártico (NApAnt) a aproximação feita junto à Marinha, Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron) e SPE Águas Azuis no Programa das Fragatas Classe Tamandaré (PFCT). A Câmara Setorial de Equipamentos Navais, Offshore e Onshore (CSENO) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) pretende agendar com as partes envolvidas uma visita técnica ao Estaleiro Jurong Aracruz (EJA), onde o navio será construído, já no começo de 2022, a fim de entender as demandas e oferecer soluções com conteúdo local para apoiar o projeto.
“Para as fragatas, recebemos algumas demandas da thyssenkrupp de produtos em que eles tinham interesse em nacionalizar. A CSENO utilizou sua base instalada de associados para propor soluções ao consórcio. Pretendemos replicar para o NApAnt, intensificando visitas e aproximação junto à Marinha e Emgepron”, contou o presidente da CSENO/Abimaq, Bruno Galhardo, em entrevista à Portos e Navios.
Em 2021, a CSENO teve a oportunidade de visitar o Brasil Sul (SC), com equipes da Emgepron e da thyssenkrupp para verificar o avanço dos projetos no estaleiro. Na ocasião, o CEO da SPE Águas Azuis, Fernando Queiroz, apresentou o estágio do projeto das fragatas. A percepção da câmara setorial é que a maioria dos grandes fornecedores do projeto já está definida, com empresas estrangeiras — principalmente europeias e americanas, mas com alguma base instalada no Brasil para propor o suporte ao ciclo de vida do projeto.
Em relação ao conteúdo local, a CSENO apoia o novo movimento de renovação da esquadra da Marinha do Brasil e propõe uma visão atualizada dessa metodologia. Em vez de somar mão de obra, serviços e navipeças no mesmo pacote para calcular o conteúdo local, a câmara sugere que Marinha e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) criem metodologia com apuração apenas para máquinas e equipamentos, o que dividiria essa categoria com conteúdo local específico, dando previsibilidade para projetos futuros e fomentando o mercado.
A CSENO acredita que muito da metodologia de cálculo de conteúdo local e do pensamento sobre equipamentos para o projeto do navio polar, por exemplo, seja replicado do modelo dos projeto das fragatas Tamandaré, guardadas as devidas diferenças conceituais dos dois projetos de meios navais militares. “Entendemos que existem melhorias que podem ser feitas para os projetos futuros da Marinha”, comentou Galhardo.
Em novembro de 2021, começaram as consultas aos potenciais fornecedores do projeto do NApAnt, cujo grupo construtor foi confirmado pela Marinha em outubro do mesmo ano. O conteúdo local exigido inicialmente para o futuro navio previa o índice mínimo de 45%, sendo que a proposta selecionada pela força naval, do grupo Sembcorp Marine, apontou o percentual de 47,68%. A Emgepron já sinalizou que pretende promover encontros e eventos sobre o navio polar com fornecedores locais e representantes da comunidade marítima, por intermédio do Cluster Tecnológico Naval do Rio de Janeiro e da ABIMAQ.
'Polar-1 Ltda' é o nome da sociedade de propósito específico (SPE) formada pelo EJA e pela Sembcorp Marine Specialised Shipbuilding, que fazem parte do mesmo grupo, a partir do resultado da concorrência promovida pela Marinha para obtenção do navio. A Marinha informou que a negociação contratual com a SPE Polar-1 é conduzida pela contratante Emgepron e deverá cumprir os trâmites legais e condições estipuladas na RFP (Request for Proposal) para a assinatura do contrato no prazo mais breve possível. A entrega do navio à força naval está prevista para 2025.
O novo NApAnt substituirá o navio de apoio oceânico (NApOc) Ary Rongel (H-44), que se aproxima do final do ciclo de vida. A Marinha destaca que o processo de seleção baseou-se na expertise técnica e gerencial do seu pessoal e contou com o apoio da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e do BNDES. A escolha da melhor oferta para atender o projeto teve início com a divulgação da RFP, em maio de 2020, e aplicou duas ferramentas principais: análise multicritério à decisão (AMD) e análise de riscos.
Fonte: Portos e Navios
