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BA 182 | Pesados: Mercado aquecido para caminhões e devagar para ônibus


27/01/2022 BA 182 | Pesados: Mercado aquecido para caminhões e devagar para ônibus

 

Pelos balanços da Anfavea e da Fenabrave, e com a análise do consultor automotivo, Valdner Papa, há muitos movimentos para acontecer

No acumulado do ano até o mês de novembro, foram quase 117 mil caminhões comercializados no País, alta de 46% em relação ao mesmo período de 2020. Também no período, foram comercializados 80 caminhões movidos a gás e 240 caminhões elétricos, ante 45 e 41, respectivamente, no mesmo intervalo do ano passado. Segundo Gustavo Bonini, vice-presidente da Anfavea, o segmento é muito puxado pelo agronegócio, pela construção, mineração e também pelo e-commerce, e não houve mudança significativa no mix, caminhões pesados continuam representando mais de 50% das vendas.

Gustavo Bonini, vice-presidente da Anfavea

“Neste ano, o segmento de caminhões está se recuperando bastante do susto que foi com o início da pandemia, quando as produções das montadoras pararam e logo em seguida nós vimos, o que é óbvio, a conexão de serviços essenciais com o de transporte de carga, como o de alimentos, combustível e de medicamentos, e isso foi seguido pelos demais segmentos, como o e-commerce”, disse Bonini.

Somados ao desempenho da mineração e da construção, ele contou que todos esses fatores motivaram os volumes do segmento de caminhões. “E dentro da própria segmentação, os caminhões pesados representando quase 50% têm sua relevância no transporte de longa distância”, destacou.

Sobre a produção, também no acumulado até novembro, o resultado foi o melhor para o período desde 2013, totalizando 146,4 mil unidades e 82% acima do mesmo período de 2020. “Mesmo com todas as dificuldades com a parte de peças e semicondutores, houve um incremento de outubro para novembro na ordem de 4,7% na produção; o melhor novembro desde 2013”, afirmou Bonini.

Ônibus

Até o mês de novembro, o segmento de ônibus registrou uma produção de 17,5 mil unidades, um aumento de apenas 0,3% no acumulado do ano, quando comparado ao mesmo período de 2020. Em número de unidades licenciadas foram 12.900, no mesmo intervalo, um resultado muito próximo ao de 2020 e o melhor acumulado desde 2019.

“Foi o segmento mais afetado pela pandemia e continua sendo. Por isso, a importância de criar estímulos também para o setor. Estamos falando de mobilidade urbana, que é um tema bastante importante para o nosso País e em encontrar uma maneira para crescer esse mercado, dada a sua importância”, afirmou Bonini. Por segmento neste ano, 29% das vendas foram de ônibus urbano, fretamento, 13% e rodoviário, 12%; 27% foi a participação dos micro-ônibus, e do programa Caminho da Escola, quase 9%.

Fatores

Sobre o que vem pela frente, o executivo da Anfavea disse que a entidade ainda não fez as projeções para 2022, mas deu uma prévia. “Há fatores que podem puxar o volume e outros que são desafios a serem superados pelas montadoras. A estimativa da Conab para a safra 2021/2022 é de uma produção de 390 milhões de toneladas de grãos, um número bastante significativo, que representa um aumento de quase 15% em relação à safra anterior”.

Segundo ele, um número positivo que pode levar a uma demanda de caminhões. “Por outro lado, a inflação e as revisões do PIB também impactam o setor de transporte e a falta de semicondutores também é um desafio. Temos oportunidades, mas muitos desafios a serem superados”, concluiu.

Emplacamentos

Pelos números da Fenabrave, computados até setembro, no acumulado do ano o volume de caminhões emplacados cresceu 56,57% em relação a igual período de 2020. “A procura por esse tipo de veículo permanece com boa demanda, na maioria de seus subsegmentos (pesado, semipesado, médio, leve e semileve)”, afirmou o presidente da entidade, Alarico Assumpção Júnior.

Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave

Na contramão ficou o segmento de ônibus. Também no acumulado até setembro, o volume de emplacamento teve uma queda de 24,28% em relação ao mesmo período de 2020. “Neste ano, é o segmento com menor crescimento em relação a 2020, mas é algo até compreensível, em função da pandemia e das restrições de circulação, que vigoraram no primeiro semestre de 2021”, destacou Assumpção.

Análise

Na avaliação de Valdner Papa, consultor do mercado automotivo, fundador e presidente da Consult Motors, o segmento de caminhões terminará 2021 com um volume menor de vendas, mas com margens muito maiores. “Toda vez que você tem uma demanda maior do que a oferta, acaba por ter margens maiores. O que está sustentando em tese o mercado da distribuição são as margens praticadas pela ausência de produtos. Porém, a concorrência poderia ter sido maior se todos os players estivessem produzindo volumes maiores”.

Ele explicou que anos atrás houve um aquecimento de mercado muito grande, com a liberação de financiamentos para caminhões a taxas baixíssimas pelo Finame. “Naquele momento, em função desse subsídio, o mercado de caminhões subiu fortemente, os grandes frotistas e até os individuais optaram pela troca de seus caminhões. Isso é um processo de gestão que leva tempo, pois as frotas têm um tempo de maturação. Quando o caminhão fica velho, os custos começam a ser muito altos e cada um estabelece um período de manutenção e depois procede a troca”.

Após essa renovação, aconteceu o contrário. “O País começou a passar por muitas dificuldades, principalmente econômicas e houve o impedimento da renovação da frota”. Além disso, aumentou a concorrência. “Até então, duas marcas dominavam o mercado, Scania e Volvo, e ele começou a ser preenchido por outras marcas, como a Volkswagem (MAM). O mercado passou a ser mais suprido e mais competitivo. Só que esse mercado vem a reboque, principalmente, do agrobusiness. Todo o nosso conceito de logística está diretamente ligado ao rodoviário”.

O melhor desempenho do agrobusiness, naturalmente, impacta diretamente o segmento de caminhões. “Como é um instrumento de trabalho, faz parte do dia a dia, do motorista individual ou da empresa de transporte, o cálculo de rentabilidade de retorno de investimento e isso iniciou novamente uma busca pela renovação, mas vieram a pandemia e a escassez de componentes, e uma redução muito forte na oferta de produtos”.

Valdner Papa, consultor do mercado automotivo, fundador e presidente da Consult Motors

Fora o tempo de espera. “Se nós fizermos uma fotografia como compradores de um caminhão pesado ou médio, a carência de tempo de recebimento é de quatro a dez meses, dependendo do modelo. Nós teremos um 2022 ainda melhor para a agricultura, então, esse problema se intensificará. Mais ou menos, a partir de setembro de 2022, teremos uma volta paulatina de volumes e, consequentemente, um ajuste de margens”.

Como termômetro, o setor de máquinas agrícolas deve crescer 40% neste ano em relação a 2020. De janeiro a outubro, a receita líquida do setor foi de R$ 32 bilhões, um aumento de quase 50% em comparação ao último ano, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ).

Ônibus – É um segmento totalmente diferente do de caminhões, por estar diretamente vinculado às ações das prefeituras, a partir dos seus limites de financiamento individuais para a renovação de suas frotas. “Esse é um primeiro limitador, o comprador básico são as prefeituras, elas são um verdadeiro caos na locação de recursos e buscam sempre se utilizarem desses limites de crédito de financiamentos governamentais direcionados para compras de ônibus”, afirmou Papa.

O segundo ponto colocado por ele é a politicagem. “Essas decisões são tomadas em momentos importantes de eleições, pois renovar uma frota de ônibus em uma cidade é visual. Isso também tem uma utilização política, então, o mercado de ônibus é o mais difícil de se prever, pois ele não tem uma lógica de renovação como o de caminhões, que depois de x anos, dependendo do seu uso, tem que ser substituído, caso contrário, não será produtivo e rentável. O critério do ônibus é trocá-lo quando o prefeito tiver a liberação de um limite de crédito e tem interesse político”.

Por esse motivo, Papa prevê que 2022 será um ano melhor para o segmento. “2022 é um ano de eleições e, como sempre, em um ano de eleição esse mercado cresce. Tenho certeza de que 2022 será melhor do que 2021 para o segmento de ônibus, mas também nos seis ou oito primeiros meses do ano, ele estará afetado por problemas com o fornecimento de componentes”, finalizou.

Fonte: Balcão Automotivo

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