O setor de máquinas e equipamentos teve, pelo segundo ano consecutivo, um bom desempenho, mesmo sob efeito da pandemia. Segundo o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), José Velloso, o faturamento no acumulado até novembro cresceu 23,9%, chegando a R$ 204,20 bilhões. Em 12 meses, a receita subiu 24,8%.
A expectativa é que esse ritmo se mantenha em dezembro, e 2021 deverá fechar com uma evolução em torno de 24%. De acordo com os dados da ABIMAQ, as vendas no mercado interno somaram, em onze meses, R$ 156,28 bilhões, alta de 28,9%. Já em 12 meses, a evolução foi de 30,3%, segundo Velloso.
“O que puxou a receita total no setor de máquinas e equipamentos foi, justamente, a demanda do mercado interno. Com o dólar valorizado o bem importado fica mais caro e começou a nacionalização de equipamentos.” Velloso ressaltou que a participação das importações no consumo aparente de máquinas e equipamentos saiu de 55% em 2019 para 45% neste ano. Até novembro, de acordo com os dados, o indicador somou US$ 284,03 bilhões, alta de 16,3%. Em 12 meses, a evolução, segundo a ABIMAQ, foi de 17,8%.
Se o dólar valorizado tornou o produto importado caro no país, as máquinas e equipamentos produzidos aqui ficaram baratos aos olhos dos mercados internacionais. As exportações tiveram salto de 32,7% de janeiro a novembro deste ano e chegaram a US$ 8,28 bilhões. Em 12 meses, as vendas externas cresceram 29,4%. “O desempenho foi bom, mas sob uma base baixa, pois, em 2020 as exportações se reduziram em razão da pandemia”, afirmou Velloso.
Para 2022, a estimativa é pela diminuição do ritmo, mas, de acordo com Velloso, ainda em uma base de comparação alta. “Devemos crescer em torno de 5% em 2022. Um desempenho puxado pela agricultura, pelas commodities e infraestrutura”, disse. “São setores que devem continuar fortes no próximo ano, apesar de sofrerem algum ajuste, mas ainda em um patamar alto. Isso puxa a venda de máquinas e equipamentos. Nossos vetores de crescimento continuarão bons”, ressaltou Velloso. Para ele, o setor deve se descolar do ambiente econômico brasileiro em 2022.
Segundo Velloso, o dólar médio deve permanecer no patamar de R$ 5,50 no próximo ano, além disso, as commodities, como minério de ferro e petróleo, devem se manter em níveis altos, que cobrem em muito o custo de produção. Para o barril do Brent a expectativa é de um preço médio de US$ 70 em 2022. Já a tonelada da principal matéria-prima do aço deve ser cotada entre US$ 100 a US$ 120.
“Em 2022, apesar da perspectiva de um ambiente econômico interno ruim, o setor de máquinas não deve ser afetado. Isso porque, além dos setores primários, como o agronegócio e o de commodities metálicas e de energia, muita obra de infraestrutura deve sair do papel. E as vendas para esse segmento deve apresentar alta de 15%.”
Prova desse descolamento é, segundo ele, que as empresas do setor já têm em carteira cerca de 11,2 semanas de vendas em novembro. “Em dezembro, estamos com um crescimento de 25% nos pedidos se compararmos ao desempenho de 2020. Vamos entrar em 2022, com uma fila média de espera de uns 3 meses.”
Velloso ressaltou que, pelas expectativas da associação, a taxa de juros referencial, a Selic, deve chegar a 12% no próximo ano. Já a inflação, ele acredita que deve retornar aos níveis anteriores, em torno de 5%.
Fonte: Valor Econômico
