Estabelecer uma relação direta entre o aumento da pobreza no Brasil e o aumento dos índices de desemprego não é uma tarefa das mais difíceis. Assim como estabelecer uma relação direta entre o aumento do desemprego e as dificuldades dos empresários em se manterem competitivos em um cenário de incertezas e insegurança jurídica também não é difícil.
Em outras palavras, devemos salientar a premente necessidade de sensibilizar os poderes da República, bem como a sociedade brasileira, sobre os instrumentos efeitos para alcançar e manter um crescimento sustentado, tão almejado pela nação, que ainda está se recuperando de uma das piores crises da sua história e não pode conviver com esses níveis de pobreza.
Reiteramos a urgência para que o país crie as condições para ampliação do investimento produtivo e, simultaneamente, reduza, se não elimine, as ineficiências sistêmicas para aumentar sua produção de bens e serviços, complexos e sofisticados, precondição necessária para voltar a crescer e para poder ampliar nossa inserção na economia mundial e também a oferta de empregos de qualidade.
A pobreza é algo não só doloroso do ponto de vista social como um impeditivo brutal para o crescimento. O emprego digno cria condições sociais mais adequadas e gera crescimento, na medida em que fortalece o mercado interno.
Nesse sentido, sabemos que a indústria desempenha um papel fundamental, já que é estratégica na dinamização de todo o setor produtivo brasileiro, como ofertante e demandante de tecnologias e como a principal geradora de inovação para os demais segmentos da economia.
Será necessária a implementação de um conjunto de instrumentos e políticas públicas tendo como objetivo estimular e direcionar novos investimentos produtivos. Ou seja, serão necessárias medidas indutoras ao setor privado na busca de novas oportunidades e na expansão de fronteiras tecnológicas. Seu sucesso pressupõe a existência de um ambiente macroeconômico favorável ao investimento produtivo. Só assim diminuiremos o desemprego no país e retomaremos o crescimento.
João Carlos Marchesan – Administrador de empresas, empresário e presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ.
Fonte: Jornal Impresso Zero Hora.
