ABIMAQ vê possibilidade de desenvolvimento de negócios em todo o ciclo de vida de projetos, desde a fabricação de itens, à logística e ao descomissionamento ao final do ciclo de vida.
Fornecedores de máquinas e equipamentos ampliaram o olhar para as oportunidades decorrentes do mercado de energia. A avaliação do setor empresarial é que o Brasil tem posição de destaque na geração de fontes renováveis e que novos combustíveis vão gerar negócios envolvendo todo o ciclo de vida de setores produtivos. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) identifica que a diversificação de fontes de energia abre o leque da cadeia de valor em engenharia, fornecimento de máquinas e equipamentos com tecnologia brasileira, além da logística envolvida das atividades de descomissionamento, não apenas no setor de petróleo e gás.
O diretor-executivo da ABIMAQ nas áreas de petróleo, gás natural, bioenergia, petroquímica e hidrogênio, Alberto Machado, disse que é preciso estabelecer o que existe no mundo de oportunidades de negócios que vão surgir daqui para frente. Ele ressaltou que o Brasil tem praticamente todas as fontes primárias de energia, o que o deixa numa posição de destaque. Ele citou que o hidrogênio pode ser produzido por meio dos aerogeradores que, por meio da eletrólise da água dessalinizada, podem produzir hidrogênio.
Para Machado, a expansão da eólica offshore no Brasil vai aumentar a disponibilidade de energia para produção hidrogênio, de forma economicamente viável num futuro próximo devido à combinação com outras fontes de energia. “Tudo isso leva a uma enorme possibilidade de desenvolvimento de negócios e geração de oportunidades para o nosso segmento”, frisou Machado.
Ele vê entre os desafios passar pelas mudanças que atingem os grupos de empresas, pessoas e sociedades focadas em combustíveis fósseis, sem causar problema do ponto de vista econômico e social. “Depois de 40 anos, estamos preocupados com o descomissionamento dessas plataformas. Se pensarmos no que tem de mudanças entre combustíveis fósseis e renováveis, teremos que, de certa forma, ‘descomissionar’ o mundo. Teremos que mudar de grupo de empresas, pessoas e sociedades focadas em combustíveis fósseis”, comentou.
Machado acrescentou que havia limitações por o foco estar muito baseado na energia hídrica. “Temos toda condição de rapidamente ter uma gama de possibilidades de suprimento de energia, gerando oportunidades na ciência e tecnologia, na engenharia, na produção e fabricação de máquinas e equipamentos e outros materiais, na distribuição e na logística envolvida e nos descomissionamentos, que vão gerar oportunidades para indústria de máquinas e equipamentos”, analisou.
O presidente do Conselho de Óleo e Gás da ABIMAQ, Idarilho Nascimento, mencionou que 75% da matriz energética mundial é baseada em combustível fóssil, que o petróleo terá vida longa e o gás terá papel preponderante em busca de uma matriz mais limpa. Nascimento disse que o mundo está passando por uma transição energética e, cada vez mais, haverá a necessidade de matriz limpa, de diminuição de emissões de carbono e da presença de fontes renováveis. “Há regiões que precisam fazer esse trabalho que estão mais atrasadas que o Brasil. Nessa transição, é importante termos gás natural sendo tratado como insumo energético de transição”, observou.
Fonte: Kincaid
