Na última edição do nosso Informaq, tivemos a honra de acompanhar as reflexões trazidas pelo vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. Em seu artigo, Alckmin traçou um panorama detalhado das ações governamentais voltadas à neoindustrialização, destacando o papel central que o setor de máquinas e equipamentos ocupa como o núcleo produtor de bens de capital do país. É profundamente emblemático ver o reconhecimento público de que nenhuma cadeia produtiva nacional — da pujança do nosso agronegócio, que registrou um crescimento histórico de 11,3% no PIB em 2025, até a infraestrutura urbana e a transição energética — se expande ou se moderniza sem a presença de maquinários de ponta. Essa convergência de visões reforça a relevância da ABIMAQ como parceira estratégica na formulação de políticas que buscam elevar a produtividade e a competitividade do Brasil.
O balanço apresentado pelo vice-presidente traz dados que merecem nossa atenção e nos permitem vislumbrar um horizonte de otimismo. A consolidação de instrumentos robustos de crédito e fomento, expressos nos expressivos números do Plano Mais Produção e na forte revitalização do FINAME via BNDES, demonstra uma mobilização concreta de recursos para o chão de fábrica. Da mesma forma, iniciativas como o Programa de Depreciação Acelerada e o anúncio de novas linhas de crédito, como os R$ 10 bilhões do MOVE Brasil e os R$ 15 bilhões do Plano Brasil Soberano direcionados à eficiência energética e modernização, são sinalizações vitais. A recuperação recente na produção de bens de capital, que apontou crescimento de 9,1% em 2024 e manteve trajetória positiva com alta de 6,5% em março de 2026 frente ao mesmo período do ano anterior, sinaliza que a indústria responde prontamente quando encontra estímulos corretos para o investimento.
Contudo, a própria natureza da atividade industrial nos exige conjugar esse otimismo com uma sólida dose de cautela. Como bem pontuou o vice-presidente Alckmin, políticas industriais estruturantes demandam tempo para que seus resultados amadureçam plenamente. O setor de bens de capital opera com ciclos longos de planejamento e execução; por isso, a sustentabilidade desses avanços depende crucialmente da perenidade das regras, da previsibilidade macroeconômica e da manutenção de condições de financiamento competitivas e compatíveis com a realidade do mercado global. Os desafios estruturais que historicamente afetam a competitividade do produto nacional — como a complexidade tributária, os custos logísticos e a necessidade de equalização contínua das taxas de juros para investimentos produtivos — continuam a exigir vigilância e diálogo constante.
Diante desse cenário de transição, o papel da ABIMAQ torna-se ainda mais essencial. Nosso compromisso permanece firmado na interlocução técnica, transparente e propositiva com as esferas governamentais, garantindo que os gargalos reais do setor sejam ouvidos e mitigados. Apreciamos os passos dados na direção da modernização, mas mantemos o foco na necessidade de transformar esses impulsos de curto prazo em uma trajetória de crescimento sustentável de longo prazo. É com essa determinação e com os pés firmes na realidade do mercado que a indústria brasileira de máquinas e equipamentos continuará a trabalhar, transformando o potencial de nossas fábricas na riqueza consolidada de toda a nação.
*Gino Paulucci Jr. é engenheiro, empresário e presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ
