Após mais de 25 anos de negociações, o Acordo de Parceria entre Mercosul e União Europeia foi finalmente assinado, marcando um momento histórico para o comércio internacional e para a indústria brasileira. O acordo envolve não apenas a redução de tarifas, mas também temas como compras governamentais, barreiras técnicas, propriedade intelectual, serviços e desenvolvimento sustentável.
Para a indústria de máquinas e equipamentos, trata-se de uma oportunidade, mas que também exige atenção e preparação. Na ABIMAQ, acompanhamos esse processo de forma responsável e entendemos que o acordo pode ampliar a presença internacional da indústria brasileira, desde que o país avance nas condições necessárias para garantir competitividade às empresas nacionais.
Os números mostram o potencial dessa abertura. Cerca de 96% das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos para a Europa passarão a entrar naquele mercado sem tarifas de importação. Produtos como compressores, bombas industriais, geradores, componentes mecânicos e diversos outros itens terão acesso ampliado a um dos mercados mais exigentes e relevantes do mundo.
Além disso, o acordo cria oportunidades para maior integração da indústria brasileira às cadeias globais de fornecimento, inclusive por meio de multinacionais instaladas no Brasil que poderão ampliar a participação de fornecedores locais em operações destinadas ao mercado europeu.
Ao mesmo tempo, é importante reconhecer os desafios envolvidos. A indústria brasileira ainda convive com elevados custos financeiros, carga tributária complexa, infraestrutura logística insuficiente e excesso de burocracia. O chamado “Custo Brasil” continua afetando diretamente a competitividade do setor produtivo.
A ABIMAQ continuará atuando de forma firme na defesa da competitividade da indústria brasileira e no fortalecimento do setor de máquinas e equipamentos, trabalhando para transformar essa abertura comercial em mais investimentos, inovação, empregos e desenvolvimento para o país.
Nos médio e longo prazos, a redução gradual das tarifas para máquinas e equipamentos europeus também ampliará a concorrência no mercado interno. Isso exigirá das empresas brasileiras investimentos constantes em produtividade, inovação, modernização tecnológica e eficiência operacional.
Ignorar essa realidade não nos ajudará. Precisamos enfrentá-la com seriedade, planejamento e senso de urgência.
Por isso, a ABIMAQ apoia o acordo, mas reforça a necessidade de avançar em uma agenda consistente de competitividade. O Brasil precisa de uma política industrial moderna, acesso ao crédito em condições adequadas, reformas estruturais e medidas que reduzam os custos da produção nacional.
Sem um ambiente competitivo equilibrado, o potencial do acordo ficará limitado.
A indústria brasileira de máquinas e equipamentos tem capacidade para competir, inovar e crescer. Somos responsáveis pelos bens de capital que movimentam setores essenciais da economia, como agricultura, infraestrutura, mineração, saúde e manufatura. Temos engenharia qualificada, tecnologia e competência industrial reconhecida.
O sucesso desse acordo dependerá, em grande parte, da capacidade do Brasil de criar condições para que a indústria nacional possa competir em igualdade com seus concorrentes internacionais.
A ABIMAQ continuará atuando de forma firme na defesa da competitividade da indústria brasileira e no fortalecimento do setor de máquinas e equipamentos, trabalhando para transformar essa abertura comercial em mais investimentos, inovação, empregos e desenvolvimento para o país.
* Gino Paulucci Jr. – Engenheiro, empresário e presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ
