Você está no portal ABIMAQ Brasil
Quero me associar

Blog

Voltar
Indústria de máquinas e equipamentos encerra 2025 com desaceleração no ritmo de crescimento e desafios estruturais à frente


28/01/2026 Indústria de máquinas e equipamentos encerra 2025 com desaceleração no ritmo de crescimento e desafios estruturais à frente

A indústria brasileira de máquinas e equipamentos encerrou 2025 com sinais de perda de fôlego no segundo semestre, após um primeiro semestre mais dinâmico. Embora o resultado anual seja positivo, com crescimento disseminado na maioria dos segmentos o comportamento recente dos principais indicadores revela um movimento de desaceleração consistente, influenciado pela política monetária restritiva, pela maior concorrência de importados e por um ambiente internacional mais adverso.

 

Mercado doméstico: consumo aparente perde força e importações ampliam riscos


O consumo aparente de máquinas e equipamentos apresentou queda em dezembro de 2025, recuando 7,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior, ao atingir cerca de R$ 30,2 bilhões. O resultado reflete tanto a retração das compras de bens produzidos localmente quanto a redução pontual das aquisições de bens importados no mês. Ainda assim, no acumulado do ano, o consumo aparente cresceu 7,9%, desempenho sustentado principalmente pelos investimentos realizados ao longo do primeiro semestre, com destaque para os setores de bens de consumo, logística, construção civil e componentes.

 

A receita direcionada ao mercado doméstico alcançou R$ 221,7 bilhões em 2025, crescimento de 8,4% em relação a 2024, demonstrando que a demanda interna seguiu sendo o principal motor do setor. Esse avanço foi viabilizado pelo melhor desempenho das indústrias extrativas, do agronegócio e das obras de infraestrutura, que mantiveram projetos e investimentos mesmo em um ambiente de juros elevados.

 

As importações de máquinas e equipamentos continuam exercendo forte pressão sobre a indústria nacional. Em 2025, as compras externas somaram US$ 32,2 bilhões, crescimento de 8,3% e novo recorde histórico. As importações já representam 46% do consumo nacional, praticamente o dobro da participação observada antes de 2014. Esse movimento ampliou o déficit da balança comercial do setor, que ultrapassou US$ 18 bilhões em 2025, mais de 120% acima da média registrada após as crises de 2015-2016 e da pandemia. A predominância da China como principal origem das máquinas importadas, com mais de 32% de participação, evidencia um processo contínuo de perda de competitividade do produtor local, com impactos diretos sobre o nível de emprego qualificado e a capacidade do país de sustentar cadeias produtivas estratégicas no longo prazo.

 

Receita, exportações e o impacto do cenário externo

 

A receita líquida total da indústria de máquinas e equipamentos somou R$ 299 bilhões em 2025, crescimento de 7,3% frente ao ano anterior. Houve resultado positivo no acumulado do ano, mas o comportamento ao longo do segundo semestre foi marcado por desaceleração, com queda de 2,8% no último trimestre em comparação ao mesmo período de 2024. O mês de dezembro registrou o terceiro resultado negativo consecutivo na comparação interanual, refletindo o arrefecimento dos investimentos sobre impacto da política monetária restritiva.

 

As exportações tiveram papel complementar nesse desempenho. Em 2025, as vendas externas cresceram cerca de 5%, após a retração observada em 2024. O resultado foi sustentado pelo aumento do volume exportado e pela expansão das vendas para países da América Latina e Europa, com destaque para máquinas destinadas à infraestrutura, agricultura e ao setor de petróleo. Esse movimento compensou a desaceleração do mercado norte-americano e a queda dos preços internacionais.

 

Entretanto, o ambiente externo tornou-se progressivamente mais desafiador ao longo de 2025. As medidas adotadas pelo governo Trump, com aumento de tarifas de importação sobre máquinas brasileiras, impactaram negativamente as exportações para os Estados Unidos, que recuaram mais de 9% no ano e reduziram sua participação no total exportado pelo setor. Esse cenário de maior protecionismo, combinado à desaceleração do crescimento global, elevou a incerteza e limitou o potencial de expansão das vendas externas, exigindo das empresas maior esforço de diversificação de mercados.

 

Capacidade instalada, carteira de pedidos e expectativas para 2026

 

O nível de utilização da capacidade instalada da indústria de máquinas e equipamentos encerrou 2025 em 78,4%, 5,2 p.p. acima do observado no mesmo período de 2024. A carteira de pedidos, no entanto, encerrou ano com carteira de pedidos, média, 2,2% inferior à de 2024 confirmando que o setor já opera em um novo patamar de menor dinamismo, após o início do ciclo de desaceleração observado a partir de meados de 2025.

 

Estes números indicam que o ano de 2026 continuará com o movimento de desaceleração do crescimento. As projeções indicam expansão de 3,5% na produção física do setor e de cerca de 4% na receita líquida de vendas. Esse avanço deverá ser sustentado principalmente pelo mercado doméstico, cuja demanda tende a crescer em torno de 5,6%, refletindo a carteira de projetos já contratados em infraestrutura, a continuidade dos investimentos no agronegócio e a necessidade de reposição e atualização de máquinas em segmentos industriais.

 

As exportações, por sua vez, devem apresentar estabilidade em 2026. O cenário externo segue marcado por elevada incerteza, com desaceleração do crescimento global, aumento de medidas protecionistas e aprofundamento da guerra tarifária, em especial a partir das novas tarifas adotadas pelos Estados Unidos. Esse ambiente limita a expansão das vendas externas de máquinas e equipamentos brasileiros e reforça a importância de estratégias voltadas à diversificação de mercados e ao fortalecimento da indústria local como forma de mitigar riscos e sustentar o crescimento no médio e longo prazo.

 

Compartilhe:



Avenida Jabaquara, 2925
Entrada Social: Rua Bento de Lemos, s/n
CEP: 04045-902 - São Paulo/SP
Tel: (11) 5582-6311
Novidades
Receba novidades sobre a ABIMAQ em seu e-mail

Brasília - Distrito Federal

Endereço: SHIS - QI 11 - Bloco "S"
E-mail: relgov@abimaq.org.br

Belo Horizonte - Minas Gerais

Endereço: Av. Getúlio Vargas, 446 Sala 701 - Bairro: Funcionários
Telefone: (31) 3281-9518
Celular: (31) 98364-9534
E-mail: srmg@abimaq.org.br

Curitiba - Paraná

Endereço: Av. Com. Franco, 1341
Telefone: (41) 3223-4826
Celular: (41) 99133-6247

Recife - Pernambuco

Endereço: R. Gen. Joaquim Inácio, 830
Telefone: (81) 3221-4921

Rio de Janeiro - Rio de Janeiro

Endereço: R. Santa Luzia, 735 - sala 1201
Telefone: (21) 2262-5566
Celular: (21) 97204-9407
E-mail: srrj@abimaq.org.br

Porto Alegre - Rio Grande do Sul

Endereço: Av. Assis Brasil, 8787
Telefone: (51) 3364-5643

Joinville - Santa Catarina

Endereço: Estr. Dona Francisca, 8300 - Perini Business Park - Àgora Tech Park - Sala 210
Telefone: (47) 3427-5930
E-mail: srsc@abimaq.org.br

Piracicaba - São Paulo

Endereço: Av. Independência, 350
Telefone: (19) 3432-2517

Ribeirão Preto - São Paulo

Endereço: Av. Pres. Vargas, 2001 | Sala 153
Telefone: (16) 3941-4113
Celular: (16) 9 9734-2810

São José dos Campos - São Paulo

Endereço: Rod. Pres. Dutra, S/N - Km 138
Telefone: (12) 3939-5733

São Paulo - São Paulo

Endereço: Avenida Jabaquara, 2925
Telefone: (11) 5582-6311
ABIMAQ - Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos.
©2026 - Todos os direitos reservados.