COPOM sobe juros ao seu maior nível em quase 20 anos
O Comitê de Política Econômica (Copom) decidiu, mais uma vez, elevar a taxa básica de juros, a Selic, em
0,50 ponto percentual, para 14,75% ao ano, o maior patamar desde julho de 2006. Esta foi a sexta elevação
consecutiva numa decisão que foi unânime.
No seu comunicado o Copom trouxe alterações importantes. Reconheceu que o ambiente externo está mais
incerto, mas com riscos tanto de alta quando de baixa para a inflação. No cenário doméstico reconheceu os sinais de
moderação no crescimento.
A seguir destaques do comunicado justificando a decisão:
I. uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado;
II. uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais
positivo; e
III. uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o
esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.
E entre os riscos de baixa da inflação o Copom destacou:
I. uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo
impactos sobre o cenário de inflação; e
II. uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior
incerteza.
III. uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários
Pontos relevantes da nota
O comunicado começou destacando o cenário externo desfavorável, mencionando dúvidas sobre a
conjuntura, a política econômica e a política comercial americana e seus impactos.
O Bacen sinaliza uma situação global instável ao afirmar que :
"A política comercial gera incertezas sobre a economia mundial, especialmente em relação à extensão da
desaceleração econômica e ao impacto variado no cenário inflacionário entre as nações, com impactos
significativos na condução da política monetária".
O Copom enfatizou que a situação requer prudência e adaptabilidade, indicando que a decisão será
influenciada pelos próximos dados econômicos.
Quando observado o cenário o econômico:
O cenário de elevada incerteza, juntamente com o estágio avançado do ciclo de ajuste e os efeitos
acumulados ainda não observados, requer uma atuação mais cautelosa da política monetária e
adaptabilidade para incorporar informações que possam afetar a dinâmica da inflação.
As expectativas de inflação para 2025 e 2026, apuradas pela pesquisa Focus, permanecem acima da meta,
situando-se em 5,5% e 4,5%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para 2026, atual horizonte
relevante de política monetária, situa-se em 3,6%.
Fatores importantes no âmbito internacional
O Federal Reserve (FED), a autoridade monetária americana, optou por manter as taxas de juros inalteradas
na faixa de 4,25% a 4,5% ao ano, ressaltando os riscos em ascensão de inflação e desemprego.
Jerome Powell, presidente do FED, afirmou que ainda é "muito cedo" para avaliar os efeitos das tarifas de
Trump e descarta um "corte preventivo" nos juros. No entanto, a incerteza em relação ao rumo da economia é
extremamente alta. Ele enfatizou que os riscos de aumento do desemprego e da inflação parecem ter se intensificado,
porém ainda não se manifestaram nos dados.
Além disso as tarifas de importação impostas pelo presidente Donald Trump ampliaram as expectativas de
uma inflação mais elevada e um crescimento econômico mais lento neste ano.
Avaliação ABIMAQ
O Copom aumentou a taxa Selic para 14,75% ao ano, tornando a política monetária extremamente restritiva
e no seu comunicado manteve a indicação de novos ajustes, o que resultará em custos financeiros em nível alarmante,
num momento em que já se percebem indícios de moderada desaceleração na economia.
É imperativo que o BC amplie o seu foco de atenção para além da inflação. A política monetária deve ser
realizada de maneira abrangente, considerando não apenas a necessidade de controlar os preços, mas também a
importância de manter um ambiente favorável ao crescimento econômico.
O país vem, há anos, registrando investimentos em níveis inferiores à média mundial excluindo a China,
inferiores ao dos países da América Latina e inferiores ao de países com estágio de desenvolvimento semelhante ao
do Brasil e é isso que explica o baixo índice de ociosidade da economia, ou o hiato positivo citado no comunicado
do Copom, tornar a política monetária mais contracionista só tende a piorar este quadro.
Acesse a nota na íntegra através do link: https://drive.google.com/file/d/1O6wiIduvyfTAc-c8ua-k4hVW6HGS3q8h/view?usp=sharing
