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Vamos dar a volta por cima



Iniciamos uma retomada? Talvez seja difícil dizer isso em termos de números e análise concreta. Mas, quando vemos os acontecimentos do mês de abril e início de maio, achamos que vale a pena acreditar que o pior já passou.

Importante lembrar que os números da indústria de máquinas pararam de cair e que o setor de máquinas agrícolas, um ponto fora da curva, promete contribuir para os demais setores.

No Brasil, a agricultura, pecuária e indústria de máquinas dominam a produção de maquinários agrícolas em ambiente tropical. Única e exclusiva no mundo.

Soma-se a isso o fato de que o uso da tecnologia tropical também pode servir para áreas de clima temperado. O contrário é importante destacarmos que não se aplica.

Por essa característica, ressalto que nessa faixa do globo, nos trópicos, nós podemos dominar toda essa parte da agricultura. É isso que, hoje, nós temos como vantagem competitiva. E que junto com a Embrapa, que inclusive, este ano, comemora seu quadragésimo quarto aniversário, foi possível desenvolver essa tecnologia. Outro órgão que ajudou muito o Brasil foi o IAC, que está completando 130 anos.

Temos o maior centro de desenvolvimento de cana do mundo e podemos ver também, hoje, a última grande revolução da agricultura brasileira, comparável à Indústria 4.0, que é a integração lavoura, pecuária, floresta, com mais de 11 milhões de hectares em alguma forma de integração. 

E não podemos nos esquecer que, apesar dos bons números e excelente tecnologia agregada, a agricultura e o agricultor dependem de quatro fatores imponderáveis, determinados pelos 4 cs:

-clima; 

-commodities;

-crédito e 

-câmbio. 

Com relação ao clima, São Pedro tem estado de plantão nos últimos anos e tem ajudado, mas, de vez em quando, ele cochila e pode mudar as coisas. Então, nós temos que produzir em abundância. 

Se temos, hoje, uma inflação controlada, não foi só porque paramos o país e geramos 12 milhões de desempregados, mas porque o choque de oferta de alimentos que o Brasil produz colaborou. Esse grande choque de oferta no Brasil é o que está gerando um abastecimento pleno a custos compatíveis, que reduziu a inflação.

Esse é um grande mérito da agricultura e da pecuária brasileira, que, além de gerarem excedentes para exportação, são as grandes responsáveis pelo superávit  brasileiro.

No tocante às commodities, estas baixaram ultimamente. 

Parte fundamental que temos que ter em mente é o crédito e, para isso, precisamos trabalhar forte no Plano Safra, que está em gestação dentro do governo, para que seja um plano plurianual, com os preços mínimos anualmente corrigidos, permitindo ao agricultor planejar suas decisões de escolha de culturas e de investimentos em médio prazo, otimizando, assim, sua produtividade. 

E a questão câmbio, em que o governo precisa deixar de manipular e usar como instrumento de política monetária, pois isso já arrasou com a indústria e vai arrasar com a agricultura também, tornando quase que insustentável continuar produzindo no Brasil nos moldes que está, ainda mais com o Custo Brasil (transporte e infraestrutura).

Isso nós temos que deixar bem claro e chamar a atenção do governo, pois, se não olharmos com a importância devida para o câmbio, toda essa pujança desaparecerá. 

É pela necessidade de modernização constante em um processo de melhoria contínua do parque de máquinas agrícolas brasileiro que defendemos o MODERFROTA, a continuidade do PRONAF, do programa MAIS ALIMENTOS da agricultura familiar, PRONAMP e MODERINFRA, com taxas fixas e juros civilizados compatíveis com o retorno do investimento do agricultor. E todo esse espírito de crescimento e pujança vimos presente na  24º AGRISHOW, a maior feira em aérea aberta do mundo, com mais de 222 hectares de produtos e serviços inovadores, expectativa de safra recorde de grãos estimada em 230 milhões de toneladas e retomada dos índices em 15% para o setor.  

Os números dizem que só o agronegócio responde por 23% do PIB brasileiro, sendo responsável, nos últimos 10 anos, por um superávit de US$ 700 bi para a balança comercial brasileira e,  embora saibamos que a indústria gera grande volume de empregos,  é na agricultura que vemos grandes possibilidades de riqueza e crescimento, capazes de fornecer os subsídios necessários para a retomada do crescimento do país.

João Carlos Marchesan
Presidente
Conselho de Administração
ABIMAQ / SINDIMAQ





Número: 210


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