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A transformação da economia é tema de webinar na ABIMAQ



Com a participação de João Marchesan, presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ, José Velloso, presidente executivo e Cristina Zanella, diretora executiva de Economia, Estatística e Competitividade, a webinar contou com a participação de Felipe Salto, diretor executivo da IFI – Instituto Fiscal Independente e do economista José Roberto Afonso 

“Será que o governo fez tudo que podia? O Estado pode ser o indutor da retomada? Quanto tempo para cobrir o rombo aberto nas contas públicas? Se as empresas quebrarem, o rombo não pode aumentar? Quanto realmente já foi gasto?” Com a busca de respostas para essas perguntas, José Velloso abriu a webinar, realizado no dia 10 de junho.

Para ele, estranhamente, dentro da transformação da economia, a questão fiscal ainda é o maior debate que está acontecendo hoje no Brasil. Mesmo antes que as empresas resolvam seus problemas causados pela crise econômica.

De outro lado, João Marchesan centrou as discussões em torno da necessária retomada dos investimentos e da necessidade de preservar empregos: “temos que encarar o novo normal, nada vai ser como antes. Sabemos que a reconstrução da economia passa por uma reforma profunda do Estado. Mas uma questão importante para ser respondida é: como vamos dar estímulos para a economia se não tivermos uma visão de como fazer isso. Eu entendo que a primeira coisa que temos que fazer é reativar os investimentos. Precisamos de R$ 10 trilhões para os próximos 20 anos para obter um volume de crescimento sustentável e absorver grande parte dessa mão de obra que está fora do mercado de trabalho. Como vamos reativar a economia para reconstruir o País novamente?”, questionou.

Na opinião de Felipe Salto, o Brasil precisa ter um plano de recuperação dos investimentos e o BNDES precisa retomar o papel que teve no passado, revisitando algumas práticas para retomar seu papel como banco de fomento. “O Brasil ainda está em estágio de desenvolvimento mediano e precisa de alguns poucos subsídios, mas também precisa para isso de uma política de transparência. Subsídio não é pecado. Você só precisa de regras eficientes. Subsídio se justifica sempre que houver falhas no mercado. E não há dúvida que no mercado de créditos no Brasil há muitas falhas”

A taxa de juros também foi apontada por Salto como importante na recuperação da atividade econômica. “Ela precisa ser mantida em patamares baixos para que o investimento privado seja motivado e vamos precisar de programas de estímulo e programas de recuperação. No Brasil achamos que a intervenção do Estado no mercado é pecado. Quando não é, ao contrário, é essencial. Todos os países que tiveram crescimento econômico por muito tempo, contaram com a participação eficiente do Estado”.    

Segundo Salto, existem estudos que falam da necessidade de planos de médio e longo prazo para as contas públicas e políticas públicas, no entanto, os programas precisam ter avaliação, meta, técnica e data para acabar. Precisa ser feita direito, com econometria, estatísticas e pessoas sérias fazendo acompanhamento para que a partir da análise possa cortar os programas ineficientes e abrir espaço para planos novos a fim de aumentar o investimento. 

Conforme Salto, para atrair investimento privado é preciso melhorar o ambiente de negócios. “Continuamos em posição desfavorável nos rankings internacionais. Portanto, um longo caminho a percorrer, temos que ter um plano de consenso, capacidade de articulação e uma política de somar. O que está faltando é exatamente isso, uma política de consenso, uma liderança”.

TETO DOS GASTOS 

De acordo com Felipe Salto, a PEC do orçamento de guerra deveria permitir passar por cima da burocracia e de questões que fazem com que esses gastos não sejam eficientes e rápidos. “Está faltando coordenação.  Estamos falhando bastante para resolver os problemas de renda e emprego que essa crise já está gerando. Não basta você colocar no orçamento que vai gastar x milhões se você não tem pessoas trabalhando diuturnamente para fazer com que esses gastos sejam realizados de forma eficiente para atender as demandas dos estados e municípios”. 

Salto explicou que com essa crise é esperada a queda de 6,5% no PIB nacional no cenário base, para os mais pessimistas a expectativa de queda de 10%, e nesse contexto as receitas do governo devem cair muito. “O déficit projetado para este ano deve ficar superior a R$ 900 bilhões, que vai representar 12% de déficit no PIB. Isso deve elevar a dívida bruta para 94% do PIB neste ano”.

Para o diretor executivo do IFI ano que vem o teto será rompido. “Nossas contas são muito claras, 96,4% da despesa primária é rígida e sobra 3,6% para o governo remanejar, no entanto, são custeios para manter a máquina pública e o investimento público. Então em 2021 temos encontro marcado para discussão desse teto de gastos e até agora nenhuma palavra do governo a respeito disso. Nós estamos no período de elaboração da Lei Orçamentária Anual que tem o prazo para ser enviado ao congresso até 31 de agosto”. 

RETOMADA

José Roberto Afonso, por sua vez, acredita que a grande questão é a disponibilização de crédito para a economia e para fazer investimento. “É preciso voltar com o crédito para a economia, não apenas pelo sistema bancário, mas usando o mercado de capitais e tendo como limite a volta do funcionamento da economia, voltando a produzir, tendo crédito e usando a poupança para financiar os investimentos”.

Para o economista, a Covid-19 vem trazendo um novo normal, ou seja, nada vai voltar a ser como era antes, seja no nosso dia a dia e nos hábitos pessoais. “Isso também inclui a economia, por exemplo, precisamos pensar a questão fiscal e tributária na ótica de refazer tudo. Será necessário ter novas regras, políticas e práticas”.  

Afonso falou que os brasileiros têm uma tarefa de reconstrução. “Precisamos reconstruir um novo sistema tributário e fiscal. Mas a discussão agora é como eu volto com a demanda, como eu uso o crédito para ressuscitar parte do que morreu. E temos que pensar que boa parte dos desempregados não vão voltar a ter emprego, quando a economia voltar a crescer. Vão virar trabalhadores independentes. Eu preciso construir um novo sistema de proteção social para esse novo trabalhador independente. As empresas terão que se reposicionar. Tem que ter plano, estratégia. O governo tem que governar. Afinal, crise é matéria precípua do governo”, finalizou.

Felipe Salto também considerou que “se não tiver uma atividade eficiente do Estado no pós-crise vamos ter destruição da capacidade produtiva, além do choque de demanda que estamos vendo agora, vamos ter um choque negativo de oferta e esse é o pior dos mundos porque toda essa ociosidade que estamos vendo na indústria de transformação, que está acima de 40%, pode se transformar em perda de capacidade produtiva e consequentemente substituição do produto nacional pelo importado”.

Afonso considera que “é o momento de o governo apoiar as empresas dando crédito via mercado de capitais, via fundos de investimento, via compra de papéis das médias e grandes empresas, para depois que as empresas se estabilizem haja o repasse para o setor privado. Nunca se poupou tanto. O Brasil que era um País que não tinha poupança agora tem poupança e devemos aproveitar isso para converter em financiamento de investimento público e privado. E investimento de longo prazo”.

José Velloso e Cristina Zanella consideraram o debate extremamente positivo. Marchesan, no entanto, concluiu afirmando: ‘Depois desse debate teremos um posicionamento mais assertivo junto ao governo. A discussão foi altamente construtiva e vem ao encontro ao que a ABIMAQ busca e o que a indústria necessita. Vamos ter mais elementos para trabalhar e apresentar sugestões ao governo”.



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Número: 245
Julho/2020

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