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Empregos sofisticados importam para o Desenvolvimento Econômico



A estrutura produtiva de alguns países da economia mundial em 2010. No eixo X temos a complexidade econômica medida a partir dos dados do Atlas da Complexidade Econômica (OEC) e no eixo Y temos a porcentagem dos empregos sofisticados em relação aos empregos totais da economia (WIOD). Classificamos empregos sofisticados como empregos manufatureiros + serviços sofisticados. Seguindo a literatura sobre o tema, classificamos serviços sofisticados como serviços empresariais que em parte migraram da manufatura ou complementam a manufatura, além dos serviços financeiros. Os empregos de serviços não sofisticados, agropecuária, mineração, construção civil e distribuição de água e luz foram todos classificados como não sofisticados em geral.

Mineração e distribuição de luz e água tem um perfil de produtividade muito parecido em todos países do mundo; são setores produtivos e capital intensivos que empregam muito pouco gente. A agricultura nos países pobres continua ainda empregando muita gente, em países ricos esse contingente é mínimo. De um modo geral os dados mostram que emergentes tecnologicamente dinâmicos mostraram melhora notável em sua estrutura produtiva (Korea, China, Índia, Indonésia, México, Turquia, Polonia). Emergentes problemáticos não apresentaram melhora da estrutura produtiva; os destaques aqui são Brasil e Rússia. Houve ganho de espaço no mercado mundial dos emergentes dinâmicos e perda de espaço dos desenvolvidos ricos

As medidas de produtividade do trabalho calculadas como valor adicionado dividido por número de ocupações mostram em termos empíricos a característica propulsora de desenvolvimento econômico dos setores manufatureiros e de serviços sofisticados. São setores capazes de empregar muita gente com produtividade mais elevada do que a média da economia. Países ricos se destacam com grandes participações da população empregada nos setores de alta produtividade. O Brasil se destaca com um dos piores níveis de emprego industrial entre os emergentes e com um dos mais baixos níveis da amostra. EUA, França, UK e Áustria tem baixo emprego industrial em termos relativos e enorme complexidade produtiva. Austrália tem baixa complexidade, baixo nível de empregos industriais, mas tem um elevado número de empregos no setor de serviços sofisticados. Austrália e EUA tem baixa ocupação da população na indústria da transformação (em 1995 o numero era de quase 12% na Austrália) e grande quantidade de pessoas empregadas no setor de se
rviços sofisticados. Mesmo tendo já empregado muitos trabalhadores no setor industrial, hoje esses dois países conseguiram migrar para um perfil de emprego que privilegia os serviços sofisticados, principalmente. A Austrália já teve praticamente 25% do seu PIB em indústria nos anos 60.

Os EUA que já tiveram 20 milhões de trabalhadores em manufaturas migraram também para um perfil de serviços financeiros e empresariais, apesar de que o contingente de pessoas empregadas em serviços não sofisticados nos EUA tem crescido de forma rápida. Os tipos de ocupação e de atividades produtivas têm produtividades do trabalho muito distintas. Países que empregam pessoas na indústria e serviços sofisticados são produtivos; países que empregam muitas pessoas em agricultura, serviços não sofisticados e construção civil não são produtivos. O mapa de ocupações ou empregos, ou estrutura produtiva, diz muita coisa sobre quem é rico e quem é pobre. 

Países ricos empregam muita gente em seus setores manufatureiros e de serviços sofisticados e têm uma estrutura produtiva complexa. Países pobres não foram capazes de constituir uma estrutura produtiva complexa e são incapazes de constituir e empregar seus trabalhadores em setores de serviços sofisticados. China e Índia têm uma porcentagem baixíssima da população em setores de serviços sofisticados e uma população total enorme. Conseguiram avançar no emprego de trabalhadores no setor manufatureiro e estão caminhando aceleradamente na construção de um sistema produtivo complexo. No outro extremo existem países como Alemanha, Coreia do Sul e Japão com um enorme setor de serviços sofisticados, muita gente empregada no setor manufatureiro e uma estrutura produtiva altamente complexa.

Paulo Gala - Graduado em Economia pela FEA/USP. Mestre e Doutor em Economia pela Fundação Getúlio Vargas FGV/EESP de São Paulo, onde é professor desde 2002. Foi gestor de fundos multimercado e renda fixa, hoje CEO e Economista da Fator Administração de Recursos/FAR



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Número: 234
Julho/2019

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