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Seminário debate economia e novas tecnologias do agronegócio



Promovido pela CSMIA, com o apoio da CSEI, a 17ª edição do Seminário de Planejamento Estratégico Empresarial abordou temas como integração lavoura, pecuária e floresta, mecanização agrícola, macroeconomia e cenários da agropecuária no Brasil e no mundo

“Este seminário é a oportunidade de debater o que há de mais atual e relevante para o aprimoramento das atividades no campo, com ênfase no planejamento e na visão estratégica do negócio e do mercado”. Assim João Carlos Marchesan, presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ, abriu a 17ª edição do Seminário de Planejamento Estratégico Empresarial, que teve como tema ‘Economia e as Novas Tecnologias’. O evento foi promovido pela Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA), com o apoio da Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação (CSEI), e realizado no dia 06 de outubro, na sede da entidade.

Marchesan comentou que a indústria 4.0 está cada vez mais presente no agronegócio. “Agricultura de precisão e máquinas autônomas são apenas alguns dos exemplos de inovações aplicadas na produção agrícola. Essas tecnologias mudam a forma de encaramos o processo de produção, abrindo novos mercados e gerando melhores produtos e oportunidades. Isso explica boa parte dos bons resultados colhidos pelo agronegócio brasileiro”.  

Marcus Tessler, presidente da CSEI, ressaltou que o seminário reflete a relevância do agronegócio no Brasil. “Com esforço e trabalho de todos, o evento vai contribuir para que a agricultura brasileira continue se desenvolvendo”. 

A pedido do Secretário Arnaldo Jardim, que não pode comparecer ao Seminário, Alberto Amorim, secretário executivo das Câmaras Setoriais e Relações Internacionais da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, enfatizou a palavra 'estratégia' como arte de comandar e liderar uma equipe. “A cada momento que se alcança êxito, novas realidades nos atropelam. Precisamos nos preparar e sermos ativos nessa gestão de mudança, e seguirmos juntos. Vocês aqui na ABIMAQ/CSMIA tem o DNA para fazer isso”. 

Itamar Borges, deputado estadual, realçou a importância da ABIMAQ e os avanços conquistados junto ao Poder Executivo. “A entidade só consegue desenvolver seu papel quando ela tem a sua força e a ABIMAQ é hoje uma das instituições mais importantes do nosso país, e tem conseguido bons resultados com o trabalho realizado em prol do setor”. 

PALESTRA | A EVOLUÇÃO DO SETOR DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS NO BRASIL

Pedro Estevão Bastos, presidente da CSMIA

“Quando olhamos a evolução do faturamento da CSMIA de 2000 a 2017, notamos flutuações com altas e quedas bruscas. Isso significa que se trata de um setor perigoso. Se tivéssemos um gráfico dos anos oitenta e noventa do século passado, iríamos ver um quadro similar. Nesse período, o faturamento, apesar das variações, cresceu perto de 50%, numa média anual de 2,5%. Esse aumento faz sentido com o crescimento da agricultura brasileira. No período de 2011 a 2014, os astros se alinharam e o setor teve um desempenho excelente, com os preços recordes de soja e milho, além dos juros baratos do Programa de Sustentação do Investimento (PSI). Neste primeiro semestre de 2017 houve o aumento de 15% de vendas de máquinas e implementos agrícolas comparado com o mesmo período do ano passado. Já no segundo semestre deste ano a tendência é de queda nesse número. Devemos fechar o ano em torno de 8%, apesar de o mercado sinalizar desaceleração do volume de vendas. Isso basicamente em função do preço da soja e do milho que caiu muito e segurou as compras e a queda da Selic. Nossa missão é projetarmos como iremos em 2018”. 

PALESTRA | INTERNET DAS COISAS NA MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA

Maurício Antônio Lopes, presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA)

“A transformação digital rompe com os ‘artefatos tradicionais’. Força a convergência da biologia, física, química e estatística. Abre espaço para avanços em novas fronteiras. As vertentes de convergência mudarão a agricultura. Aparecem as novas ciências com a mescla da biotecnologia, nanotecnologia, geotecnologias e dados. O seu aspecto é mais transversal e vertical, com DNA e genômica, CRISPR Technology (edição de genomas), biologia sintética, rastreabilidade, agricultura de precisão e dispositivos visíveis. Muitas tecnologias virão para serem aplicadas nos territórios e não somente nas fazendas. No manejo e nutrição de precisão, o confinamento avalia diariamente os indivíduos quanto ao peso corporal, emissão de metano, consumo de alimento e de água. A este sistema incorpora-se uma fábrica de ração automatizada para preparar dietas customizadas em função do peso e consumo dos animais. Este processo aumenta significativamente a eficiência de crescimento dos animais e o uso racional de ingredientes”. 

PALESTRA | INTEGRAÇÃO LAVOURA, PECUÁRIA E FLORESTA (ILPF) A NOVA REVOLUÇÃO AGRÍCOLA

Maria Fernanda Guerreiro – engenheiro agrônoma e gestora do sítio Nelson Pereira - Brotas (SP)

“Em 2008, com a crise da citricultura, tomamos a decisão de diversificar a produção. Era o começo da ILPF e consultamos a EMBRAPA, desenvolvemos o projeto em 2000. Em 2011, começamos a implantação. As técnicas tiveram evolução no período, com espaçamentos mais densos nos eucaliptos, mais unidade animal por hectare e ganhos com rotação de culturas. As espécies selecionadas para reflorestamento foram as de maior aptidão para serrarias e lenha. Fizemos um pequeno packing house para a comercialização do citrus. No verão, plantamos milho e no inverno soltamos o gado. Como média propriedade as oportunidades oferecidas na laranja, eucalipto e pecuária são pequenas. Para o milho planejamos a produção de fubá com moinho de pedra, com produção de milho não transgênico para atender segmentos e nichos específicos. Introduzimos a apicultura com a produção e comercialização de mel. O ILPF é uma alternativa para o pequeno produtor em vários sentidos, não apenas econômico, por exemplo, é possível ter uma área e gerar insumo com custo menor. Estamos acreditando nisso e vamos trabalhar para chegar a nossa meta”. 

Mateus Arantes – engenheiro agrônomo e CEO da fazenda São Matheus - Três Alagoas (MS)

“Na safra 2007/08 já tínhamos acumulado alguma experiência, quando formamos a parceria com a EMBRAPA e começamos a fazer a integração lavoura e pecuária, com a aplicação do sistema São Matheus. Tomamos o pasto degradado, fizemos uma correção química e física para depois o plantio direto da soja, em sistema de rotação adequado a necessidade de cada um. Dessa maneira, os teores de matéria orgânica e fósforo passaram para 20%, e a saturação de base foi para 57%. No sistema São Matheus, essa correção leva dois anos, enquanto no plantio direto demora 12 anos. Em 2012, a Agricult foi criada com o objetivo de transferir tecnologia para pecuária de corte no sentido de recuperar as áreas degradadas e produzir a carne bovina a pasto de alta qualidade. Em 2013, decidimos formar uma gestão compartilhada. Independente do tamanho, a profissionalização da gestão é uma questão chave na propriedade familiar. O pilar principal da fazenda é o solo. Ficamos especialistas em realizar a sua recuperação. Temos ainda o sistema integrado e o melhoramento genético com a criação a pasto com marmoreiro, que garante a qualidade da carne”.

Carlos Viacava – economista, agricultor e pecuarista e sócio-gerente da Fazendas do Oeste Paulista – Caiuá e Presidente Epitácio (SP)

“Trabalhamos na área de melhoramento genético de bovinos. Acompanhamos as pesquisas sobre precocidade sexual, maciez de carne e eficiência alimentar. O melhoramento genético aumenta a taxa de desfrute, provoca os pastos bem manejados e com maior lotação, ajudam na preservação dos solos e no sequestro de carbono. Há ainda uma redução significativa das emissões de metano: de 76g para 47g por kg/animal/vivo. Desde 2014, começamos e crescemos na produção de soja, tanto no oeste paulista (Fazenda Campina), como em Paulínia (Fazenda São José). Estabelecemos com meta uma produtividade mínima de 50 sacas por hectare. Estamos remanejando áreas onde presença de argila fica abaixo de 5%. Pretendemos levar o projeto adiante. Tivemos aumento expressivo no estoque de gado, apesar de um terço da nossa área ter sido ocupada com a soja. Passamos de 1,6 cabeça por hectare para 3,2 cabeças. Entre as vantagens da ILPF, podemos citar o pasto de inverno para alimentar o bezerro desmamado, sem o efeito sanfona de perder peso. Temos o compromisso com o Brasil pela defesa da pecuária e do meio ambiente. A atividade pode contribuir para atenuar o impacto das mudanças climáticas e combater a desertificação”. 

PALESTRA | MACROECONOMIA E SEUS EFEITOS NO SETOR AGRÍCOLA BRASILEIRO

Fernando Honorato Barbosa, economista- chefe do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco 
“Temos três teses básicas que vão dar fundamento para cenário em 2018: as famílias estão menos endividadas e estão poupando mais. A segunda tese: as empresas, o balanço operacional das empresas está muito mais ajustado do que estava, no último um ano e meio, dois anos. E por último, não terá inflação em 2018. Esses três elementos são os pilares que constituem a nossa convicção de que tem crescimento econômico em 2018, e que é um cenário, inclusive, durante o período eleitoral, que dará em um cenário mais favorável do que é hoje. Então, quando nós juntamos esses três pilares, com as reformas, está aí a melhora do risco país”. 

PALESTRA | CENÁRIOS DA AGROPECUÁRIA NO BRASIL E NO MUNDO

Carlos Cogo, consultor de Agronegócio 

“Quem sustenta o Brasil é o agronegócio, há cinco, seis anos seguidos. E quando falo de agronegócio, falo desse agronegócio aqui, neste contexto total, que colabora com 24% do PIB. Estados Unidos, que tem maior agricultura do mundo, o agronegócio pesa 9% do PIB, 33% dos empregos e 46% das exportações. Entre os três produtos mais exportados pelo Brasil, dois são do agronegócio. 33% dos empregos na agricultura só é identificado em três países: China, Índia e Brasil. Todos os demais tem 2,5% a 2% da demanda do emprego no agronegócio. Então isso mostra o tamanho. A visão do agronegócio é de cadeia, aonde você tem tudo aquilo acrescentado aqui hoje, setor de máquinas, implementos, sementes, fertilizantes. Já o PIB da agropecuária, que é um pouco diferente (porteira para dentro), pesa 5% a 6% do PIB, variando o ano. A composição da agropecuária é de 30%, vem do binômio soja-milho junto com a cana, é o que move as vendas de máquinas e equipamentos agrícolas”. 

Fico cada vez mais convencido. Sou um eterno otimista do Brasil. Que País fantástico para vivermos, e que momento importante da nossa história que estamos vivenciando. Com todos os problemas e os desafios, o agronegócio continua crescendo. Isso é que nos anima e nos impulsiona para acompanharmos o desenvolvimento da área agrícola.
 João Carlos Marchesan, presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ.

ABIMAQ assina Termo de Permissão de Uso da área da Agrishow

Durante o seminário, a ABIMAQ assinou, com a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, um termo de permissão de uso da área da Agrishow por tempo mais amplo, o que permitirá a implantaçao de plots com sementes, defensivos e fertilizantes. 
Para João Marchesan, presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ, a alteração do prazo será a oportunidade de trabalhar melhor a dinâmica da feira no decorrer do ano. 
Orlando Mello de Castro, coordenador da APTA, ressaltou que a permissão do uso do espaço por período mais amplo vai permitir que outros segmentos comecem a empenhar-se para que a Agrishow esteja em melhores condições de receber os visitantes na próxima edição, que acontece 30 a 04 de Maio de 2018, celebrando sua 25a edição.  
Francisco Matturro, vice-presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e presidente da Agrishow, agradeceu o apoio da ABIMAQ e enfatizou que Orlando Mello de Castro tem sido peça fundamental desde a primeira edição do evento. 

Para conferir mais detalhes das palestras, saber o conteúdo dos debates  e ter acesso às apresentações do Seminário de Planejamento Estratégico Empresarial solicitar pelo e-mail: csmia@ABIMAQ.org.br





Número: 216
Março/2011

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