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Atraso e incertezas reduzem adesão da indústria ao plano de redução de consumo


30/08/2021 Atraso e incertezas reduzem adesão da indústria ao plano de redução de consumo

Valor Econômico – 30/08/2021

 

Uma das principais apostas do governo para afastar o risco de apagões, o programa para incentivar indústrias a reduzirem o consumo de energia tem uma pedra no seu caminho: a retomada econômica. Ao Valor, empresas e representantes dos setores de cerâmica, vidro, papel e máquinas e equipamentos disseram não ter condições de aderir à iniciativa, seja por já operarem no limite, seja pelos turnos de trabalho. 

De forma geral, o atraso na apresentação do programa e indefinições sobre a implantação formam cenário desfavorável ao objetivo do governo. Outro grupo eletrointensiva, como ArcelorMittal, Vale e Solvay, demonstraram disposição em participar, mas aguardam a regulamentação do programa, que deve sair hoje. 

Os detalhes técnicos são considerados cruciais para a adesão. Ao lado das incertezas, existe a sensação de que a proposta demorou para sair do papel e vem num momento em que a crise hídrica e energética já tomou proporção mais difícil de ser contornada. Em nota técnica, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) diz que, num cenário de condições hidrológicas mais adversas, seria “imprescindível” elevar a oferta em 5,5 gigawatts (GW) médios, de setembro até novembro, para assegurar o atendimento. 

Para se ter ideia do desafio, o atual consumo nacional fica em torno de 61 GW médios. Há uma semana, o Ministério de Minas e Energia apresentou as regras gerais para o programa de redução voluntária do consumo industrial. A proposta tem potencial para realmente minimizar a possibilidade de blecautes, já que exigirá das empresas o deslocamento do consumo para fora dos horários de pico, quando o sistema elétrico corre o risco de não conseguir atender a demanda. 

Em troca, as empresas receberão compensação financeira para fazer frente aos custos de realocação da produção. Para estimular a adesão, o governo acatou sugestões de associações setoriais - reduziu, por exemplo, o lote mínimo de economia que poderá ser ofertado por empresa, de 30 megawatts (MW) médios para 5 MWm, o que pode ampliar o número de propostas. Em linhas gerais, as diretrizes foram bem recebidas, mas os agentes estão esperando a publicação das regras e procedimentos finais, que serão divulgados pelo ONS e pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). 

Mas mesmo sem ter acesso às regras, alguns grupos já descartam aderir ao programa. É o caso da International Paper (IP), fabricante de papéis de imprimir e escrever, que possui três fábricas e consumo de 130 megawatts (MW) médios. Para a companhia, qualquer redução no consumo de energia representará risco a suas operações. “Energia é um item de peso na matriz de custos, então já trabalhamos com uma contratação justa no grid. Neste momento, não temos muita margem de manobra”, diz o gerente sênior tributário e assuntos corporativos, Antonio Salomon.

 O executivo menciona que iniciativas que já eram adotadas pela companhia para controlar custos estão sendo acentuadas. Se o cenário se agravar, a primeira medida seria mudar o mix de produtos, optando por aqueles que usam menos energia na produção. A história se repete na indústria de vidro. “Estamos trabalhando a 100% da capacidade e temos contratos para atender. Não dá para reduzir o consumo agora. Essas medidas deveriam ter sido tomadas em maio”, diz o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Vidro, Lucien Belmonte. A Roca Brasil Cerámica também afirma que não é possível deslocar parcela da produção para fora do horário de pico, pois a adequação já está no limite. Porém, o presidente da companhia, Sérgio Wuade, diz que outras iniciativas para a redução do consumo de energia estão em curso, como investimentos em eficiência energética. Outro segmento que não deve participar é o de máquinas e equipamentos. Como as empresas do setor não trabalham 24 horas por dia, fica mais complicado deslocar o consumo para horários fora do pico, explicou José Velloso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ). “A alternativa será ou investimentos em geração de energia, neste caso a solar, ou agrupamentos de empresas para entrarem no mercado livre de energia. Essa é a mais viável, o investimento em geração é alto.” 

No setor automotivo, a sensação é de indefinição. Há um mês o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea), Luiz Carlos Moraes, disse ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, que as montadoras estão prontas, caso necessário, para mudar horários de trabalho para escapar dos períodos de pico no consumo de energia. O problema, ressalta Moraes, é que essas mudanças acarretam custos. 

A maior parte das montadoras trabalha com um único turno, que preferencialmente abrange manhãs e tardes. Postergar para o período da noite implica em pagamento de adicional noturno, sem contar com a necessidade de deslocamento, para o mesmo horário, de todas as equipes terceirizadas. Do lado das companhias que ainda estão estudando a possibilidade de aderir estão os filiados da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). 

A ArcelorMittal informou que tem intenção de aderir, por se tratar de programa que “pode contribuir para a redução de custo do setor elétrico e trazer maior robustez operacional ao sistema interligado nacional”, mas ponderou a pendência da regulamentação. Já a Solvay indicou que está disposta a exportar mais energia para o sistema - durante a safra de cana, a companhia é capaz de gerar 100% da energia que consome - e, se necessário, reduzir a carga de operações industriais. 

“Dentro do que for possível e não colocar em risco o suprimento de nossos produtos estamos dispostos a reduzir”, disse a presidente da Solvay na América Latina, Daniela Manique. O detalhamento técnico é fundamental para a tomada de decisão das empresas, destaca Fillipe Soares, diretor técnico da Abrace, associação que representa grandes consumidores de energia. 

“O ONS ainda vai definir uma grade horária contendo os horários permitidos para reduzir a demanda - ou seja, algo que afeta diretamente o turno de trabalho das empresas. Além disso, ainda está em aberta a definição da linha de base, métrica que definirá o consumo de referência para apurar a redução de demanda”, explica Soares. Entre especialistas, ainda não está claro qual pode ser o alcance e a efetividade do programa. Para Donato da Silva, presidente da consultoria Volt Robotics, o governo atendeu importantes pleitos trazidos pela indústria durante a consulta pública, mas deveria já estar pensando em como tornar essa iniciativa algo perene. 

Enquanto a situação da crise hídrica piora, o consumo nacional de energia continua em alta, puxada pela indústria. Segundo a CCEE, o consumo subiu 6,7% entre janeiro e a primeira quinzena de agosto, comparado com 2020. Questionado, o MME avaliou que o programa “contribuirá para a redução da ponta de carga do sistema, evitando a necessidade de acionamento de recursos mais caros no período”.

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