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Fornecedores buscam aproximação com força naval para entender melhor as demandas


29/07/2021 Fornecedores buscam aproximação com força naval para entender melhor as demandas

A indústria nacional de navipeças deposita parte da esperança de novos negócios nos projetos de renovação da esquadra brasileira. As empresas integrantes da câmara setorial de equipamentos navais e offshore da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (CSENO/ABIMAQ) veem os projetos de embarcações militares como potenciais demandas para os próximos anos. A estratégia desse grupo, com cerca de 80 empresas associadas, é acompanhar os projetos, visando ao aumento da participação da indústria nacional.

No radar estão os programas de obtenção das fragatas classe Tamandaré (PFCT) e do navio de apoio Antártico (NApAnt), além da perspectiva de novos navios-patrulha. Os fornecedores entendem que este ano será importante para as definições técnicas do projeto das fragatas, que serão construídas em Santa Catarina. O corte da primeira chapa está previsto para 2022, quando as compras de equipamentos devem começar a se concretizar. Com relação ao navio polar, a ideia é buscar contato com o consórcio finalista assim que a Marinha anunciar o vencedor.

“Nossa interação com a Marinha vem sendo bem positiva e regularmente nos reunimos com o almirantado para expressar os anseios da indústria nacional”, conta o presidente da CSENO, Bruno Galhardo. A câmara setorial tem auxiliado a Marinha e a sociedade de propósito específico (SPE) Águas Azuis na pesquisa por fornecedores locais capacitados para atendimento de algumas demandas do projeto, abrindo espaço para empresas brasileiras.

Durante sessão das comissões de ciência e tecnologia e especial da indústria naval e offshore da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), em junho, o diretor-presidente da Empresa Gerencial Projetos Navais (Emgepron), vice-almirante Edésio Teixeira, mencionou que a empresa está estruturando, sob a orientação da Marinha, um novo programa de construção de navios-patrulha no Rio de Janeiro. Ainda não foi divulgado se o programa terá formato similar ao de programas recentes de obtenção de meios navais, como o das fragatas e o do navio polar.

Os segmentos da indústria naval aguardam o detalhamento para dimensionar se será uma demanda de médio ou longo prazo e se os dois navios-patrulha inacabados levados do Estaleiro Ilha (Eisa) para o Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ) serão incorporados a esse programa. Também não foi informado se a construção das embarcações será no AMRJ ou em outro estaleiro. E uma vez que a opção seja pelo Arsenal, se haverá investimentos em melhorias e modernização das atuais instalações. A Marinha confirma que os cascos dos navios Maracanã e Mangaratiba, oriundos do Eisa, estão em construção no AMRJ, com previsão de conclusão até 2022 e 2024, respectivamente.

A Marinha do Brasil tem planos de viabilizar a obtenção de novos navios-patrulha, a exemplo do que vem fazendo com outros meios navais da esquadra. A força naval criou um grupo de trabalho intersetorial (GTI) com o propósito de buscar a melhor solução para a construção de um navio-patrulha (NPa) de 500 toneladas. A Marinha também realizou um chamamento público a fim de buscar dados preliminares aos projetos técnicos existentes de navios-patrulha oceânicos de 1.800 toneladas. O processo, lançado em março, consiste em uma solicitação de cotação (Request For Quotation).

De acordo com a força naval, a obtenção de navios-patrulha é prevista no Programa de Obtenção de Navio Patrulha (Pronapa), conforme consta no Plano Estratégico da Marinha (PEM 2040), ainda sem previsão orçamentária definida. A Marinha ressalta que a quantidade de navios-patrulha que a força naval julga necessária é calculada por meio de uma matriz, que leva em conta os integrantes: SisGAAz (Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul), navios-patrulha e navios-escolta.

Teixeira, da Emgepron, diz que os programas estratégicos da Marinha empregam um modelo que estimula o grupo construtor contratado a cumprir as exigências de conteúdo local. Durante a sessão da Alerj, Teixeira destacou a participação da indústria nacional de navipeças no cluster tecnológico naval do Rio de Janeiro a fim de compreender melhor as demandas dos projetos em curso e dar suporte aos itens que os fornecedores locais conseguem atender.

Para Teixeira, o problema do conteúdo é defini-lo, ter instrumentos de acompanhamento e atuar com o máximo de eficiência de conhecimento para que a indústria brasileira possa saber o que é demandado e possa pressionar o fabricante. “Divulgamos no ambiente do cluster, criando uma eficiência de informação, toda essa visão de conteúdo local que achamos que a indústria brasileira pode fornecer”, disse durante sessão.

Ele explica que, de um lado, a indústria brasileira se relaciona e pressiona o construtor e, de outro, a Emgepron pressiona o contratado a fim de alcançar os níveis de conteúdo local estabelecidos. Teixeira conta que, durante discussões com o consórcio responsável pela construção das fragatas Tamandaré, em certos aspectos, o entendimento do contratado era de que a indústria brasileira era primária para fornecer equipamentos.

“Mostramos que, em função do programa de submarinos (Prosub), há fornecimento de válvulas de fundo — equipamentos mais críticos de um navio — para o programa do submarino nuclear francês. Diante dessa argumentação, tiveram que ceder e buscar conteúdo nacional”, revela. “É simples o instrumento de pressão: ao fazer análise de valor agregado, se não tiver alcançado a meta, não pagamos”, acrescenta. Teixeira cita que a ABIMAQ veio para dentro do cluster e trabalha diretamente pressionando, buscando negócios para colocar fornecedores brasileiros no conteúdo local.

O PFCT prevê investimentos da ordem de US$ 2,3 bilhões, a serem capitalizados na Emgepron. O conteúdo das quatro fragatas previstas nesse programa foi especificado pela Diretoria-Geral do Material da Marinha do Brasil, que selecionou o consórcio formado pela Thyssenkrupp, fabricante mundial de navios de guerra; Embraer, responsável pelos sensores e gerenciamento de sistema de combate dos navios desse projeto; e Atech.

Entre as exigências, a força naval estabeleceu conteúdo local de 30% para o primeiro navio da série e o percentual mínimo de 40% a partir do segundo navio. “É uma meta ambiciosa para um navio de guerra, quando percebemos que grande parte vem de sensores e armamentos e tecnologia que não temos aqui”, reconhece Teixeira. Ele ressalta que a Emgepron negociou o contrato por um ano, no qual foram firmadas condições para acompanhar esse conteúdo local.

Ele detalha que a Emgepron firmou acordo com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que atualizou seu modelo de cálculo de conteúdo local. As informações serão fornecidas pelo consórcio construtor. O BNDES informará, a partir do conhecimento lançado pelo construtor, qual nível de conteúdo local na estrutura de gerenciamento implementado na Emgepron, dentro da visão do ciclo de vida.

“Criamos um modelo específico para gerenciamento do valor agregado numa visão de governança do programa. O construtor tem que apresentá-la, em função de uma estrutura analítica do programa previamente estabelecida. Com todos os [itens] entregáveis e detalhando gastos com mão de obra, materiais, serviços e apontando para o conteúdo local. Nós aqui batemos a análise do conteúdo local agregado — exigência do TCU — e usamos a visão de conteúdo local do algoritmo do BNDES”, explica.

Teixeira salienta que o modelo adotado pela Marinha e pela Emgepron para aquisições de programas estratégicos também prevê transferência de tecnologia, como a que permitirá ao Brasil ter capacitação na parte de inteligência do software que controla um navio moderno como as novas fragatas. O diretor-presidente da Emgepron diz que o PFCT reúne atualmente quase 100 pessoas dedicadas à Tamandaré, das quais 80% de engenheiros. Ele destaca que os trabalhos focaram na qualificação de finanças corporativas, a fim de entender a estruturação e avaliação econômico-financeira dos programas, bem como na gestão do ciclo de vida, com a engenharia de sistemas e gerenciamento de projetos.

Fonte: Portos e Navios

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