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Indústria tenta se proteger de apagão


02/07/2021 Indústria tenta se proteger de apagão

Alguns setores se mostram dispostos a aderir ao programa de redução voluntária do consumo.

Enquanto aguarda a definição do governo sobre medidas para lidar com a crise de energia, a indústria se movimenta para evitar que eventuais apagões prejudiquem ou interrompam as operações.

De siderúrgicas a produtores de celulose, de fabricantes de máquinas ao setor químico, o Valor consultou várias empresas e associações de segmentos chamados “eletrointensivos”, que têm a energia elétrica como importante componente de custos. Entre as estratégias relatadas para se blindar do pior cenário, estão a compra de equipamentos que tragam redução do consumo de energia e investimentos em cogeração nas fábricas. No caso das empresas de celulose e papel, além da energia, o racionamento de água é outro ponto de incerteza no cenário de curto prazo (ver reportagem Crise preocupa químicas e papeleiras).

Grandes grupos industriais contratam seu fornecimento de energia elétrica no mercado livre (ACL), que, por sua vez, responde por cerca de 30% do consumo nacional de energia. As indústrias de metais, química e papel e celulose estão entre as mais representativas do ACL - só o ramo “metalurgia e produtos de metal”, por exemplo, representa quase 25% da carga.

Na Termomecânica, fabricante de ligas de cobre e alumínio, o plano é acionar fornos a gás caso o custo ou o consumo de energia ultrapassar o estimado. A companhia tem 20 equipamentos do tipo e investiu R$ 100 milhões nos últimos cinco anos em eficiência energética. “Estamos preparados para algum evento adverso. Podemos garantir 30% do nosso consumo com essas medidas. A nossa operação, caso ocorra algum racionamento, não será afetada”, afirmou o presidente da Termomecânica, Luiz Henrique Caveagna.

Já no setor de máquinas e equipamentos, estão no radar investimentos em placas solares ou geradores a diesel para acionar nos horários de pico, segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), José Velloso. “Essa é uma medida que terá que acontecer para preservar os negócios do setor”, disse.

Entre as siderúrgicas, a autoprodução de energia é uma prática comum, o que garante mais proteção às operações em caso de apagão ou racionamento. Na ArcelorMittal, a geração interna é feita através de sistemas de recuperação de calor e/ou reaproveitamento dos gases provenientes dos processos produtivos. Sua maior usina no Brasil, localizada em Serra (ES), é autossuficiente em energia elétrica desde 1999. Ao todo, 50% do consumo da companhia, de cerca de 650 megawatts médios (MWmed), é atendido por geração própria.

Em paralelo, grandes conglomerados, como a ArcelorMittal, estão avaliando o programa de redução voluntária do consumo de energia, ainda em estudo pelo governo. A ideia é permitir que as indústrias desloquem voluntariamente sua demanda de energia para fora dos horários “de ponta”, ajudando a desafogar o sistema elétrico e evitar o risco de apagões.

Por ora, a sinalização é de que pelo menos parte da indústria está disposta a colaborar. Segundo Velloso, os associados da Abimaq devem aderir caso o governo avance com o programa.

No início de junho, o Ministério de Minas e Energia (MME) e várias autoridades do setor elétrico se reuniram com representantes da indústria para apresentar um diagnóstico da situação energética e ouvir propostas de como lidar com a crise pelo lado do consumo de energia.

A Abrace, associação que reúne grandes consumidores industriais de energia e gás natural, apresentou ao governo uma sugestão de “programa de redução voluntária da demanda”.

Conforme a proposta da entidade, o programa se estenderia de julho deste ano a abril de 2022. Seriam dois modelos: o consumidor poderia optar por “vender” a redução de consumo ou então se colocar à disposição do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) na forma de potência. Essa segunda alternativa é vista como mais sofisticada, mas também seria viável, por já ser praticada por empresas com matriz no exterior.

No caso da redução do consumo, a indústria que desejar participar deverá informar antecipadamente à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) o montante de demanda que se compromete a reduzir para cada dia. Em contrapartida, ganhará uma remuneração se a redução de consumo for superior a 5%, em dias úteis, entre 12h e 18h.

A Abrace propôs que, no primeiro mês do programa, o valor de referência para remuneração dos consumidores seria de R$ 1.557 por megawatt-hora (MWh). Esse valor embute um prêmio de 30% sobre o preço spot da energia no mercado de curto prazo, o PLD horário, que tem seu patamar máximo fixado em R$ 1.197,87/MWh. A ideia é que esse valor de referência possa ser ajustado.

Segundo Paulo Pedrosa, presidente da Abrace, o custo desse programa, para o setor elétrico, é inferior ao que seria gasto com o acionamento de térmicas caras para responder ao aumento da demanda nos horários de pico. Ele refuta ainda a crítica de que as indústrias poderiam querer “especular” com o preço da energia. “Nenhuma siderúrgica vai deixar de produzir por três meses para ter ganho com energia, toda indústria vai atrás de eficiência de custos, isso teria impacto na competitividade dela.”

As condições do programa ainda não estão fechadas. “Assim que a formatação desse programa estiver conclusa, será aberta consulta pública para contribuição de toda a sociedade”, diz o MME, em nota.

Contexto

As conversas entre governo e empresas para uma redução voluntária do consumo industrial de energia ocorrem em meio a uma crise hídrica histórica, que tem pressionado o sistema nacional de geração, ainda muito baseado na produção das usinas hidrelétricas.

A combinação da seca mais severa em 91 anos e de baixos níveis de armazenamento nos reservatórios das usinas acendeu a luz amarela sobre possíveis dificuldades de suprimento neste e no próximo ano.

O cenário atual, porém, é muito diferente do observado há 20 anos, quando o Brasil não tinha termelétricas suficientes para fazer frente à redução sazonal da geração hídrica e carecia de um sistema de transmissão robusto para permitir o intercâmbio de energia entre regiões do país.

A principal preocupação hoje está no chamado atendimento de "ponta", ou seja, nos horários de pico da demanda por energia. Embora o país tenha capacidade instalada suficiente para gerar energia, caso a situação dos reservatórios se agrave, é possível que o sistema elétrico brasileiro não consiga responder a picos de demanda em determinadas horas do dia. Por isso o risco de "blecautes", ou seja, cortes repentinos de carga.

A leitura do governo e do setor elétrico é de que o deslocamento de parte do consumo industrial de energia poderia ajudar a desafogar o sistema nesses momentos, evitando os apagões.

(Fonte: Jornal Valor)

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