quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

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Vamos tirar as amarras da indústria


Abaixo reproduzimos o discurso de Carlos Alexandre da Costa, secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, realizado durante jantar de final de ano da ABIMAQ. 

Temos desafios extraordinários, difíceis, no entanto necessários para o povo brasileiro e para quem produz. O nosso prognóstico é bastante claro e tem sido repetido nos últimos meses. O Brasil viveu um ciclo ao longo das últimas décadas de um governo que só dificultou a vida de quem produz no nosso país.

Vimos uma dívida crescendo sistematicamente, os impostos cada vez mais altos aos olhos de quem produz, e aos olhos dos trabalhadores, nós vimos simultaneamente esse descontrole da divida do pais, o aumento do risco, o aumento das taxas de juros, uma apreciação cambial, um ciclo vicioso que afetou a competitividade das empresas brasileiras.

Ao mesmo tempo em que o Estado se agigantava nós vimos mais regulamentações, mais dificuldades, mais exigências para quem produz, senhores que produzem máquinas e equipamentos e para todos os seus clientes dos quais vocês dependem, dos quais o Brasil depende, dos quais o trabalhador brasileiro depende.

Para contrabalançar e compensar as dificuldades foram sendo criados alguns mecanismos, sendo que para cada dificuldade foi criado um subsídio e, um câmbio apreciado é uma tarifa.O setor de máquinas e equipamentos têm absoluta razão ao dizer que não dá para esperar que a indústria seja competitiva com tantas dificuldades e ainda dizer vamos abrir tudo e que cada um que se vire.

Nós somos liberais, o liberal acima de tudo tem como valor a liberdade, a liberdade do ser humano fazer as suas escolhas, das empresas empreenderem, dos trabalhadores escolherem o contrato de trabalho que querem ter, a liberdade do ser humano de fazer suas escolhas de vida e o que nós vimos nos últimos anos foi cada vez mais o processo de restrição de liberdade de fazer tudo dentro desse país. 

Precisamos reverter isso, o empresário tem que ter liberdade para produzir, com menos burocracia, menos regulação, menos exigências estapafúrdias, com o fim do manicômio tributário que esse país entrou.

Nós pretendemos recuperar a competitividade da empresa brasileira. Muito se fala que a indústria de máquinas brasileira tem subsídios, proteção e assim por diante. Realmente tem alguns, mas eu tenho certeza absoluta que nenhum fabricante de máquinas está satisfeito com medidas compensatórias por conta das dificuldades que são impostas para o setor.

Eu tenho certeza absoluta que todo empresário aqui trocaria de bom grado, e aliás, faria tudo para trocar qualquer benefício que tem por todas as amarras da produção e é assim que seremos capazes de produzir, competir no mercado internacional, porque vocês são exemplos de quem luta para ser competitivo. E apesar de tudo isso o setor registra um crescimento muito impressionante nas exportações. Vocês já são competitivos e tem que ser ainda mais competitivos e é por isso que vamos ter como grande prioridade a redução das amarras de quem produz. Redução essa que nos primeiros dias do governo será buscada por meio de uma série de medidas legais no caminho de destravar a produção brasileira. 

Mas somos liberais e na essência ouvimos, reconhecemos agregação de valor que vem da atividade empresarial descentralizada, vocês sabem as dificuldades que vocês vivem, vocês sabem as vantagens e as desvantagens de se operar no Brasil, vocês sabem o que pode lhes tornar mais competitivos, nós não podemos nesse governo achar que sabemos mais do que vocês e é por isso que nós desde a campanha estamos conversando com representantes da indústria, tivemos conversando com Marchesan, Velloso e com outros representantes para que vocês digam o que nós podemos fazer para que vocês produzam, pois são vocês que criam valor e não o governo, são vocês que criam empregos, são vocês que constroem a prosperidade do país. 

Nós temos que sair do caminho, parar de atrapalhar, corrigir nosso sistema tributário, e ainda as imperfeições da legislação trabalhista, nós temos que corrigir o sistema de auditoria de trabalho, fiscal, sistema de auditoria mesmo, as regulamentações.

Tem muita coisa para ser feita, mas tem uma coisa que nós já estamos conseguindo, que é o aumento da confiança, recuperar a esperança, aquela que faz inclusive que alguém compre máquina e equipamentos. A esperança já está retornando, agora vamos precisar implementar ações concretas que virão de vocês, esse é o nosso compromisso da nossa área que o aumento da produtividade virá a partir de sugestões de quem produz.

Nós estamos atentos as necessidades de vocês, eu sempre fui empresário e eu sei a dificuldade de ser empresário no país e isso vai ter que acabar, nós vamos entrar em um novo ciclo, nós acreditamos que no ano (2019) que vem o PIB cresça 3,5% e que a partir daí o Brasil pode entrar no ciclo de crescimento de 5%. 

O Brasil deixou de acreditar em si mesmo e se contentou com a mediocridade dos 23% de produtividade norte-americana e aí não vai dar para crescer mais de 2 a 2,5% que vem da inflação se não aumentar a produtividade. Isso vamos reverter. O Brasil precisa crescer 5% ao ano. É o mínimo para nós recuperarmos a nossa dignidade e o percentual de produtividade de países desenvolvidos que é minimamente adequado para o país que nós somos.

Eu acho que nós vamos crescer mais e de forma sustentável, o Brasil tem absolutamente tudo para isso e eu gostaria de encerrar dizendo que nada disso que eu acabei de falar vai dar certo se nós não regenerarmos nossa democracia. Nós, nas últimas décadas, temos sofrido com a crise do nosso processo demográfico. Muitos acusavam o então candidato Bolsonaro de ameaça a democracia. No entanto, poucos lembravam que o Brasil passou de uma democracia para uma democracia incompleta no ranking do The Economist e porque isso? Porque a democracia não é sinônimo de eleições livres, democracia como Abraham Lincoln falava é o ‘Governo do povo, Pelo Povo, para o Povo”. Isso tem três pilares, eleições livres, justas e frequentes. Se os representantes da população tiverem condições de implementar aquilo que foi prometido e depois tiverem transparência para que nas próximas eleições os eleitores possam escolher. Nós vimos nas últimas décadas no Brasil que cada vez mais, tivemos menos transparência, cada vez mais as decisões do 
governo foram sendo tomadas de forma menos republicana e distante daquilo que o povo esperava quando elegeu seus representantes. 

Isso não é democracia. Nós precisamos recuperar nosso processo democrático, que nossos políticos ao invés de pensarem em verba e cargo, façam política com P maiúsculo, como muitos tem tentado fazer e tem feito. 

Mas muitos não tem feito por conta da desvalorização do nosso estado, nós acreditamos que toda esperança do povo brasileiro que depositou 56 milhões de voto no novo governo vai ficar em cima do congresso e em cima de nós para que nós façamos a coisa certa criando o ciclo virtuoso que vai permitir que nós corrijamos todas as imperfeições, que possamos resgatar o orgulho do brasileiro, para que o trabalho e o suor de vocês, a capacidade e a criatividade de vocês gerem frutos internacionais, que o Brasil continue a ser um exemplo não apenas de criatividade. mas também de altíssima produtividade, de conquistas de mercados internacionais e de geração de emprego.

Para isso precisaremos da atuação de todos vocês, portanto não espere de nós as respostas, as respostas virão de vocês, nós não somos protagonistas, os protagonistas são vocês.Temos que servi-los e dar condições para vocês prosperarem.

Discurso de Carlos Alexandre da Costa, secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, durante jantar de confraternização dos associados da ABIMAQ

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